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ECONOMIA
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009, 20h:40

DIESEL

Redução gera ganho de R$ 113 mi na agricultura

Recuo fica abaixo do esperado no Estado, mas representa economia aos produtores

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O ganho dos agricultores mato-grossenses com a redução média de 7% nos preços do óleo diesel chegará a R$ 113 milhões na safra 2009/10, representando uma redução de aproximadamente 1% nos custos com o combustível na lavoura. Os cálculos foram feitos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), após o governo federal anunciar a redução nos preços do diesel em todo o país. A queda esperada era de 9,6%, mas em Mato Grosso, o Imea constatou recuo de 7% nas principais regiões produtoras do Estado, com os preços caindo de R$ 2,38 para R$ 2,21. Com a alteração, os gastos com óleo diesel somente nas lavouras de soja, algodão e milho – da porteira para dentro – vão cair de R$ 828 milhões para R$ 770 milhões, economia de R$ 58 milhões caso os preços do combustível sejam mantidos durante a entressafra, período em que é realizado o trabalho de plantio e de tratos culturais. “É importante lembrar que, no caso do algodão, soja e milho, a economia de R$ 58 milhões refere-se apenas às despesas operacionais agrícolas do plantio, colheita e tratos culturais. Não levamos em conta outros gastos com logística dentro e fora da propriedade, como o transporte de produtos, insumos e mão-de-obra”, observa o superintendente do Imea, Seneri Paludo. Considerando outras despesas – inclusive com o transporte da safra aos portos de exportação – tem-se uma economia adicional de R$ 55 milhões, totalizando R$ 113 milhões. As três culturas, juntas, deverão demandar um consumo de 348 milhões de litros de diesel na atual safra, sendo 254,70 milhões de litros na lavoura de soja (despesas de R$ 563,75 milhões), 46,80 milhões de litros com o milho (R$ 103,59 milhões) e 46,62 milhões de litros com o algodão (R$ 103,18 milhões). Esses valores referem-se apenas às despesas operacionais dentro da lavoura. (Veja quadro ao lado) Levando-se em conta todo o consumo de óleo diesel para movimentar a agricultura antes, durante e depois da safra, Mato Grosso deverá “queimar” 475 milhões de litros de diesel, o equivalente a R$ 1,05 bilhão. “A economia de R$ 113 milhões é substancial e dá um novo alento ao produtor mato-grossense que paga fretes caros e vê a cada safra a sua rentabilidade reduzida por conta do fator logística”, analisa Seneri Paludo. Em média, segundo ele, o produtor gasta 45 litros de diesel para plantar um hectare de soja, 123 litros para o algodão (R$ 292,74) e 30 litros para o milho (R$ 71,40). Em uma simulação com lavouras de 10 mil hectares para cada uma dessas culturas, o produtor desembolsou nesta safra R$ 471,24 mil, considerando o preço “antigo” do diesel, R$ 2,38. Com o novo preço do óleo, agora a R$ 2,21 para a região de Sorriso, por exemplo – no médio norte estadual -, o produtor irá gastar na próxima safra R$ 437,58 mil para realizar os mesmos plantios, economia de R$ 33,66 mil somente com o combustível dentro da propriedade. Por cultura, o desembolso com diesel seria reduzido para R$ 271,83 mil (algodão), R$ 99,45 mil (soja) e R$ 66,30 mil (milho). De acordo com Seneri Paludo, no ano passado, o óleo diesel representou R$ 7 por saca no custo de produção, sendo que desse total R$ 1,75 eram custos dentro da porteira e, R$ 5,27, da porteira para fora. “Se levarmos em conta que cerca de 9 milhões de toneladas de soja são exportados por Mato Grosso, rodando em média dois mil quilômetros até aos portos de exportação, teremos um gasto de R$ 8,83 por toneladas, cerca de R$ 790 milhões por ano”. Com a redução do diesel, este desembolso cairá para cerca de R$ 735 milhões na próxima safra.

Edição EDIÇÃO 16961




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