ECONOMIA
Terça-feira, 23 de Junho de 2009, 20h:47
A
A
GÁS NATURAL
Redução de até 38%
MT Gás e YPFB estão finalizando um novo contrato de fornecimento. Preço na bomba poderá ficar no mesmo patamar de dezembro de 2005
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O governo do Estado, por meio da Companhia Mato-grossense do Gás (MT Gás), deverá assinar nos próximos dias o novo contrato de fornecimento de gás natural com a estatal YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) já com os novos preços. A expectativa da Companhia é de que o valor pago à estatal boliviana caia dos atuais US$ 9,65 por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica, que serve de referência para medir o produto) para patamares entre US$ 5,9 a US$ 6,5 por milhão de BTU, queda entre 38% a 32%. Com isso, os preços na bomba poderão recuar dos atuais R$ 1,89, nos postos que cobram mais caro, para até R$ 1,35, segundo previsão da MT Gás. Em Cuiabá e em Várzea Grande já existem postos comercializando o Gás Natural Veicular (GNV) por preços de R$ 1,69 e R$ 1,59. Considerando o valor de R$ 1,89 que vigorava há menos de uma semana, o recuo chega a 15,87%. O novo contrato com a Bolívia será assinado nos próximos dias e terá uma redução considerável nos valores pagos por Mato Grosso, diz o presidente da MT Gás, Helny de Paula, acrescentando que todas as discussões nas áreas operacional e técnica já estão concluídas e só falta o presidente da YPFB assinar o contrato. Segundo Helny, o novo contrato prevê também garantia de abastecimento. O gás a ser enviado será suficiente para atender às necessidades da Companhia, diz, sem revelar o volume dos despachos. Atualmente, Mato Grosso consome 500 mil metros cúbicos (m²) de gás natural por mês, sendo 350 mil m² destinados aos seis postos de GNV no Estado três em Cuiabá, dois em Várzea Grande e um em Rondonópolis e 150 mil à planta industrial da Sadia, em Várzea Grande. De acordo com Francisco Jamal, engenheiro responsável da GNV MT distribuidora da estatal mato-grossense os preços para o consumidor poderão ficar abaixo dos previstos. Pode baixar para até R$ 1,30, diz o engenheiro, lembrando que os motivos da queda são a redução da sexta do petróleo, recuo do câmbio e aumento da produção da Petrobras. Se os valores se confirmarem, o preço do metro cúbico na bomba voltará a ser o mesmo adotado em dezembro de 2005, quando o GNV começou a ser ofertado em Cuiabá, R$ 1,35. Segundo ele, como o dólar está em queda, existe a possibilidade de o preço manter uma tendência de retração. O valor da commodity sofre influência da moeda norte-americana. O recuo na cotação do barril do petróleo no mercado internacional, aliado à variação do dólar, será contabilizado na revisão do contrato da MT Gás com a YPFB, informa. Jamal explicou que a conta do gás é feita a cada quatro meses. O Brasil começou a produzir gás nas bacias de Santos e Espírito Santo. Com isso, deixamos de importar 15 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia. Além disso, a Bolívia aumentou a produção e está sobrando gás naquele país. De acordo com o engenheiro da GNV MT, os preços da commodity caíram em todo o mundo e, no próximo acordo que deverá ser assinado com a MT Gás, os preços poderão ser reduzidos em torno de 40%. Tudo indica que os preços na bomba retornarão para patamares de 2005, quando começamos a vender GNV nos postos por R$ 1,35. Será um fator de estímulo para a retomada do setor. MERCADO - Em outros estados espera-se uma redução menor que a prevista para Mato Grosso. Estima-se que o preço vá cair 14% nas concessionárias e, na bomba, 12%. Mas, a notícia recente de que a Petrobras fará leilões do gás excedente vai pressionar ainda mais os preços para baixo, principalmente no segundo semestre. Segundo o último levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com o valor de bomba a R$ 1,89 pelo metro cúbico o GNV em Mato Grosso, é o segundo mais caro do Brasil, ficando atrás apenas do combustível no Piauí (R$ 2,09). Na média Brasil o valor do metro cúbico é de R$ 1,62. RETRAÇÃO Na última sexta-feira, o GNV amanheceu mais barato ao consumidor, após redução de 10,59%. Depois de seis meses sem alteração, inesperadamente os preços na bomba recuaram de R$ 1,89 para R$ 1,69 o metro cúbico (m³). Mas a redução não chegou a todas as revendas. A MT Gás garantiu na ocasião que o movimento de baixa não partiu da estatal de Mato Grosso. Essa diferença está sendo bancada pelos próprios postos, explica o presidente da MT Gás, Helny de Paula.