ECONOMIA
Segunda-feira, 02 de Março de 2009, 20h:05
A
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INDEPENDÊNCIA
Recuperação judicial
Pedido foi protocolado na última sexta-feira, na comarca de Cajamar (SP). Empresa afirma que manterá as atividades
MARIANNA PERES
Da Editoria
Um dia após anunciar suspensão temporária dos abates em todas as suas unidades espalhadas pelo País, o frigorífico Independência, entrou com pedido de recuperação judicial na comarca de Cajamar (SP). O pedido foi protocolado na última sexta-feira. Estava marcada para ontem uma reunião para informar ao mercado a real situação das operações da companhia. Das 19 unidades no Brasil, sendo uma no Paraguai, apenas onze abatem bovinos e desse volume, 54,54% delas estão localizadas em Mato Grosso e desde a última quinta-feira, interromperam as atividades. As indústrias inoperantes no Estado estão localizadas nas cidades de Confresa, Colíder, Pontes e Lacerda, Nova Xavantina e Juína. A parada tira diariamente de circulação das escalas de abate cerca de quatro mil bois/dia e aproximadamente R$ 5 milhões da economia estadual, apenas com a venda direta dos bois. Somente em Mato Grosso, da metade do ano passado até agora, 14 dos 37 frigoríficos mato-grossenses que exportam e compartilham o mercado nacional de bovinos fecharam as portas. Entre os grandes do segmento, além do Independência, passa por problemas o Grupo Arantes, como o Diário informa na página C2. Em nota oficial divulgada ontem, a empresa diz que "à luz das mudanças materiais adversas nos mercados global e brasileiro de carne bovina, a contínua volatilidade e turbulência nos mercados financeiros do Brasil e do mundo, e com o objetivo de preservar o caixa necessário para dar continuidade às suas operações, a Companhia recorreu à proteção judicial", diz trecho. Em sua primeira manifestação oficial desde a última quinta-feira, a empresa disse que seus negócios sofreram a influência negativa da queda da demanda internacional. Além disso, a retração dos preços externos, a falta de liquidez que impediu o rolamento de linhas de financiamento, o nível elevado de inadimplência e a renegociação de contratos de venda também tiveram grande impacto no negócio do frigorífico. Na nota, o Independência disse que dará continuidade às suas atividades e manterá suas relações comerciais com seus clientes e fornecedores. De qualquer forma, a empresa irá apresentar em 60 dias, a contar da decisão da Justiça em conceder a recuperação, um plano de reorganização perante seus credores. "O plano irá detalhar as providências a serem tomadas de forma a permitir que a companhia endireitar sua atual situação financeira, de forma a viabilizar a continuidade de seus negócios e satisfação dos interesses comuns de todas as partes envolvidas", diz a nota. Até a noite de sexta-feira, o Independência tentava negociar junto ao Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a liberação da segunda parcela do aporte anunciado pelo banco em novembro do ano passado. Fontes informaram que a direção da empresa chegou a se reunir com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para tentar viabilizar a liberação, o que aparentemente, não aconteceu. Em novembro, o banco estatal de fomento aplicou R$ 250 milhões no frigorífico e outra parcela de R$ 200 milhões deveria ser liberada. CAUTELA - Diante deste novo cenário da cadeia pecuária estadual, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), pede cautela e atenção aos pecuaristas. Foi uma desagradável surpresa quando soubemos da paralisação. Isso é reflexo da crise internacional e do baixo consumo interno de carne. A situação tem se agravado nos últimos 90 dias, observou o presidente da Acrimat, Mário Candia. Ele completa dizendo que o mercado internacional está comprando com um prazo maior, que chega a 70 dias, e as plantas não tem crédito para suportar essas condições. Para Cândia, o governo federal tem de se posicionar nesse momento delicado e liberar uma linha de crédito para a recuperação dos frigoríficos evitando assim, só em Mato Grosso, a demissão de 15 mil pessoas. Enquanto isso o produtor tem que ter muita cautela, pois a única forma segura é vender o boi com pagamento à vista. É melhor deixar o boi no pasto do que correr o risco de não receber, pois não temos nenhuma segurança. Segundo o assessor jurídico da Acrimat, Armando Biancardini, o pecuarista tem que ficar atento ao edital para se habitar na recuperação de crédito, manifestando sua posição quanto ao PVE (Plano de Viabilidade Econômica). Se os pecuaristas não aceitarem a proposta do PVE será decretada a falência do frigorífico e aberto um processo que não tem prazo para encerrar. (Com Agência Estado e Acrimat)