ECONOMIA
Sábado, 06 de Setembro de 2008, 10h:18
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CARTÃO DE CRÉDITO - II
Reclamações crescem 82% no Procon/MT neste ano
Em oito meses foram registradas 345 queixas
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Os estudos revelam que 34% dos brasileiros economicamente ativos possuem cartão de crédito. O dinheiro de plástico tanto para crédito como para débito automático tem o uso incentivado não só pelas administradoras, responsáveis por enviar o produto à casa do consumidor - muitas vezes sem que ele mesmo peça - como também pelo lojista, que vê no cartão uma forma de evitar rombos provocados por cheques devolvidos. Para o consumidor, o cartão se traduz em um instrumento de crédito rápido, mas que esconde riscos. Não é à toa que o cartão de crédito responde por boa parte das queixas na Superintendência de Defesa do Consumidor (Procon/MT), puxadas principalmente pelos juros cobrados de quem opta por fazer os pagamentos parcialmente a cada fatura. De acordo com o Procon/MT, só no período de janeiro a agosto deste ano foram registradas 345 reclamações contra os cartões, representando um acréscimo de 82,53% em relação a igual período de 2007, quando foram verificadas 189 queixas. A assessora especial de Defesa do Consumidor, Cristiane Vaz dos Santos, lembra que em muitos casos as financeiras e os bancos enviam o cartão de crédito para o consumidor, sem que ele ao menos tenha solicitado. Às vezes o cartão já chega às mãos do consumidor desbloqueado, induzindo o usuário a utilizar o cartão até de forma indiscriminada. Segundo ela, o consumidor deve tomar todo cuidado na hora de adquirir um cartão. Deve-se ler o contrato na íntegra e observar todas as cláusulas antes de assinar um contrato e procurar informar sobre a data do vencimento das compras. O consumidor tem que conhecer os juros da administradora do cartão, pois muitas vezes ele faz a compra e não sabe as taxas que estão embutidas, sequer as despesas com anuidade. Ela diz que para muitos, os cartões de crédito acabam virando faca de dois gumes, uma vez que se o consumidor não conseguir pagar a primeira fatura integral e só efetua o pagamento do mínimo, na próxima parcela os valores vão se acumulando com o montante em atraso já embutido de mais juros. Aí vira uma bola de neve e o consumidor dificilmente consegue sair do endividamento. A assessora do Procon/MT diz que a reclamação mais comum é em relação às taxas de juros, por falta de informações. Segundo ela, na hora da compra o consumidor não consegue identificar o que irá pagar em termos de juro. Por isso muitas pessoas acabam sendo surpreendidas com as altas taxas de juros do cartão. De acordo com o Procon, nem sempre as administradoras deixam claro o que está sendo cobrado dos clientes. O órgão defende que as faturas deveriam ser padronizadas e vir com um alerta: se o cliente efetuar o pagamento só do mínimo, vai ter a cobrança de altos encargos os juros sobre o chamado crédito rotativo. Isso quer dizer que, se o total da fatura for de R$ 1 mil e o mínimo de R$ 200, o consumidor vai pagar juros sobre R$ 800 reais no mês seguinte. Com taxa de 12,4% ao mês, o valor total da próxima fatura será de R$ 899,20, ou seja, são quase R$ 100 só de juros. É preciso ficar atento também a outros encargos cobrados, como multas por atraso no pagamento, tarifa por utilização do limite, seguro contra perda e roubo e anuidade do cartão. Tudo deve estar muito bem explicado na fatura. Caso contrário, o consumidor pode se negar a pagar e fazer a reclamação junto ao órgão de defesa do consumidor. Para Cristina dos Santos, o cartão deve ser olhado com mais ressalva pelo consumidor. Ele deve ter certeza de que está realizando uma compra de acordo com o seu orçamento e só adquirindo o que realmente precisa, evitando o consumo por impulso, diz.