ECONOMIA
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012, 21h:41
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Rating globaliza e traz desafio
O economista e secretário-adjunto da Casa Civil, Vivaldo Lopes, explica que com grau de investimento avaliado, Mato Grosso entra para um grupo seleto de destinos seguros para investimentos de todo o mundo. A nota é entendida globalmente, frisa. Ainda como explica, além de todo o benefício de ser visto como bom pagador, com o rating e o grau de investimento conhecidos, Mato Grosso atrai olhares de empresas, bancos e organismos internacionais que queiram investir diretamente no Estado, ou que passem a indicar o Estado como destino para aplicações de seus clientes. Como ele elenca, três benefícios são imediatos: o primeiro por ser um marco para o Estado, segundo por haver uma certificação reconhecida pelo mercado financeiro e o terceiro, de ser referência para investimentos externos de foram direta e indireta. Costumo dizer que se o rating fosse do futebol e não financeiro, ao invés dos Estados Unidos como referência para avaliação das outras economias teríamos o Barcelona como topo e a partir dele, todos os outros times receberiam sua notas. FUNDAMENTOS Por meio de um comunicado ao mercado, o analista da Moody´s, Patricio Esnaola, explica que os ratings de emissor atribuídos a Mato Grosso refletem um forte histórico de resultado corrente bruto positivo, o que permitiu ao Estado financiar suas necessidades de capital internamente e com empréstimos novos mínimos. "Entre 2006 e 2011, o resultado corrente bruto teve média de 11% de receitas correntes e, incorporando as contas de capital, os superávits financeiros foram responsáveis por 3% das receitas totais,". disse o analista da Moody's, Patricio Esnaola. Apenas em 2009, ano em que a economia do Brasil diminuiu em 0.6%, o Estado reportou um déficit financeiro equivalente a 2,7% das receitas totais. Desde setembro do ano passado a vida fiscal do Estado nos últimos dez anos foi revista pelos técnicos da Moody´s em todas as esferas da organização pública. Em outubro, a avaliação foi in loco e no início do ano foram finalizando os estudos após ter acesso ao balanço fiscal de 2011. DESAFIOS Segundo relatório da Moody´s, o que poderia elevar o rating para as próximas avaliações seria a consolidação do desempenho financeiro positivo e/ou uma flexibilização adicional da dívida em níveis de receita que seria susceptível para promover um upgrade de rating. A continuação de políticas fiscais prudentes também é fundamental para a manutenção do atual rating atribuído. Do lado oposto, como cita, o que poderia trazer o rating de estreia para baixo seria a deterioração do desempenho financeiro do Estado, resultando em déficits recorrentes, financiamento consideráveis e um aumento significativo no peso da dívida. Isso, provavelmente, redundaria em rebaixamento de rating. A piora das políticas macroeconômicas são também condições que podem afetar os preços internacionais das commodities e, consequentemente, a economia de Mato Grosso poderia também sofrer uma pressão descendente sobre a classificação. VOCAÇÃO - De acordo com relatório da Moody´s, a economia relativamente não-diversificada, altamente dependente do setor agropecuária, surge como um dos desafios locais para o crédito, pelo entendimento do mercado que de que dependência de divisas fica restrita a um único segmento e, o pior, um segmento cujo preço dos produtos é fixado fora da porteira. A economia de Mato Grosso é altamente concentrada no setor primário da agricultura e, portanto, depende significativamente dos preços internacionais das commodities. No entanto, isso é parcialmente compensado pelo plano estratégico da administração atual, que está focada na promoção do setor agroindustrial, promovendo o estabelecimento das empresas, principalmente, por meio de incentivos fiscais. (MP)