A classe produtora é simpática ao pagamento porque acredita no bom estado das rodovias
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A cobrança de pedágio nas rodovias estaduais consorciadas de Mato Grosso está sendo vista com bons olhos pela classe produtora. Se o dinheiro [do pedágio] for bem administrado e empregado na conservação e restauração das rodovias, apoiamos integralmente a medida, afirma o presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Rui Ottoni Prado. Segundo ele, é melhor os produtores pagarem o valor do pedágio do que terem prejuízos com o aumento do frete em função das péssimas condições das estradas. Pagamos atualmente, em média, US$ 80 por tonelada de soja transportada até ao porto de Paranaguá (PR). Estradas mal conservadas acarretam prejuízos, além de provocar atraso nos embarques dos grãos, lembra. O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Jorge Pires, também apóia a cobrança do pedágio desde que a arrecadação seja direcionada à manutenção das rodovias. Para nós é melhor pagar o pedágio e termos estradas pavimentadas em condições de trafegabilidade. Com isso, conseguimos baratear os custos do transporte e ainda obtemos uma valorização das terras nas áreas de influência das rodovias, analisa. TRANSPORTADORES -- O diretor executivo da Associação dos Transportadores de Cargas do Estado (ATC), Miguel Mendes, diz que os prejuízos decorrentes das péssimas condições das estradas são fatores de desestímulo aos caminhoneiros. O prejuízo causado pelos buracos e pelo mau estado de conservação das estradas é bem maior do que o valor do pedágio. Por isso, apoiamos a sua implantação na medida em que os recursos sejam aplicados na conservação e manutenção das rodovias. Mendes acredita que com a cobrança do pedágio os exportadores irão inserir mais este item de despesa em sua planilha de custos. Os valores deverão ser antecipados pelos contratantes do serviço, que são os exportadores. E quem irá pagar na ponta será o próprio produtor. No caso das chamadas cargas fracionadas e mercadorias industrializadas (como carnes, frangos e suínos), quem deverá arcar com o pagamento será o transportador. Ainda não fizemos as contas do impacto dos custos do pedágio no frete. Mas concordamos em pagar, desde que seja um preço justo e não venha a explorar o caminhoneiro e donos das transportadoras, frisa o diretor da ATC.