Orcival Guimarães vendeu duas fazendas e colocou 50% do seu patrimônio à venda
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Em Mato Grosso, diversos produtores estão aderindo às fusões rurais para continuar na atividade. O produtor Orcival Guimarães com 34 mil hectares de soja e 18 mil hectares de milho na atual safra vendeu duas fazendas em Lucas do Rio Verde (350 quilômetros ao norte de Cuiabá) e colocou 50% do seu patrimônio à venda para levantar capital para quitar débitos de safras anteriores. As duas propriedades - uma de 3,8 mil hectares e outra de 700 hectares - foram negociadas para pagamento de parte dos débitos e para pagar 30% da safra. "O comprador será meu sócio na próxima safra, que será cultivada no segundo semestre deste ano. O capital será estrangeiro e equivalente à metade do negócio. Esta foi a saída que encontrei para continuar na atividade, frisa. Guimarães diz que foi obrigado a vender a terra porque perdeu renda e não estava dando conta de pagar as dívidas. O descasamento cambial de 2004 para cá e a escalada dos preços dos insumos, praticamente eliminou esta possibilidade [de pagar as dívidas]. Ele lembra que em 2004 chegou a plantar com dólar cotado a R$ 3,80 e colheu com dólar de R$ 3,20. Tivemos sucessivas quedas até chegarmos à cotação de R$ 1,55, o ápice da crise. Essa volatilidade de câmbio na agricultura, somada aos juros altos, praticamente inviabilizou a nossa atividade. Chega o momento em que a melhor alternativa é vender o patrimônio", justifica Orcival. Por isso o produtor acredita que a melhor solução para quem quer continuar na atividade é juntar o trabalho ao capital. Quem tem dinheiro tem a necessidade de investir, e quem tem a força de trabalho, tem vontade de trabalhar. O pequeno produtor vai continuar existindo porque tem um custo menor e consegue administrar com menos risco. Para Orcival, esse modelo de parceria deverá se expandir em Mato Grosso, uma vez que garante a possibilidade do produtor pagar suas dívidas sem sair da atividade.