ECONOMIA
Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2007, 19h:32
A
A
FRANGO
Produto de MT na lista
Mapa anunciou ontem a suspensão da venda do produto in natura de seis frigoríficos. Limite de água acima de 6%
TANIA NARA MELO
Da Reportagem
O Dipoa-Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura (Mapa) determinou ontem a suspensão da venda de carne de frango in natura em seis frigoríficos localizados no Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. A medida foi tomada após técnicos constatarem que os estabelecimentos não cumpriam o limite máximo de 6% de água decorrente do processo produtivo do frango. Em Mato Grosso, a medida atinge o Frigorífico Anhambi, em sua unidade do município de Sorriso, a 460 quilômetros ao médio norte do Estado. De acordo com o gerente do Frigorífico Anhambi da unidade de Tangará da Serra médio norte mato-grossense -, Cosme Wunhoss, a empresa sempre cumpriu à risca as normas do Mapa. Nunca tivemos qualquer punição, nossos produtos seguem os padrões de qualidade exigidos, fomos pegos de surpresa com essa medida e acredito que seja um mal- entendido. O presidente da empresa, Aléssio De Domenico, seguiu para Brasília para tratar do assunto. A partir da suspensão, os frigoríficos devem revisar todos os processos de controle de qualidade e todos os lotes produzidos serão analisados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), até que as exigências sejam plenamente cumpridas. Além do Anhambi, também tiveram suspensas suas vendas de frango in natura os frigoríficos Eleva Alimentos (Rio Grande do Sul), Rei Frango Abatedouro Ltda. (São Paulo), Wiper Industrial de Alimentos Ltda. (Santa Catarina), Recanto do Sabiá Alimentos Ltda. (Minas Gerais) e Avenorte Avícola Cianorte Ltda. (Paraná). HISTÓRICO - Segundo o Ministério da Agricultura, a suspensão da venda é resultado de um histórico de reincidência de infrações dos frigoríficos vistoriados. A Lei nº 7.889/89, do Código de Defesa do Consumidor determina que as empresas devem revisar seu Programa de Prevenção e Controle de Adição de Água aos Produtos, com a descrição dos controles de qualidade executados, para prevenção de fraudes econômicas. Para que o consumidor não seja lesado a água excedente no frango, que é resultado do descongelamento das carcaças, deve estar em quantidade máxima de 6%. Em um frango com 16% de líquido, o consumidor perde 100 gramas em cada quilo adquirido. Os estabelecimentos já foram advertidos e multados em até R$ 25 mil por infração. O Mapa encaminhou os processos ao Ministério Público para a instauração de procedimentos civis cabíveis. CUIDADOS - Os consumidores poderão identificar facilmente os frangos e cortes congelados in natura dos frigoríficos que tiveram seus produtos interditados pelo Ministério da Agricultura. O Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), está enviando as informações para todos os Procons do país, para que a população seja alertada. As verificações devem começar pelo nome das empresas, e em seguida o nº do SIF (Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura) e da data de fabricação. Os produtos interditados foram processados até o último dia 5. O consumidor deve ficar atento também ao tipo de produto interditado. No caso da Avenorte e Rei Frango, o excesso de água foi verificado apenas nos cortes congelados e resfriados de frango in natura. Nos demais frigoríficos, o problema foi encontrado nas carcaças inteiras dos frangos in natura. A decisão de informar os Procons foi tomada após reunião do DPDC com representantes do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), do Ministério da Agricultura. Ficou acertado no encontro que seria feito um comunicado aos órgãos de defesa do consumidor, sugerindo a fiscalização em supermercados para verificar o cumprimento da interdição. O DPDC também entrará em contato com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), para que os produtos sejam retirados do mercado o mais rápido possível. (Com assessoria)