ECONOMIA
Terça-feira, 04 de Junho de 2013, 19h:31
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INDÚSTRIA
Produção industrial avança 1,8% em abril, diz o IBGE
Mas, ainda é cedo para dizer que o setor está em processo de recuperação
FLÁVIA VILLELA
Da Agência Brasil Rio
A produção industrial avançou 1,8% em abril na comparação com março, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o segundo resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação, um ganho de 2,7% nesse período, segundo a Pesquisa Industrial Mensal. A categoria bens de capitais (máquinas e equipamentos) foi a principal influência para esse aumento, ao apresentar a maior variação em abril, com alta de 3,2%, quarto resultado positivo consecutivo, com ganho acumulado de 15,5%. Na comparação com abril do ano passado, a indústria cresceu 8,4% em abril de 2013, taxa mais elevada nesse tipo de comparação desde agosto de 2010 (8,6%). O estudo informa que todas as categorias de uso, 23 das 27 atividades, 58 dos 76 subsetores e 63,4% dos produtos pesquisados apontaram expansão na produção. No acumulado deste ano, o setor industrial teve expansão de 1,6%, revertendo a queda de 1,1% assinalada nos quatro últimos meses do ano passado, nas comparações com os períodos equivalentes do ano anterior. Dos 27 ramos investigados, 13 apontaram expansão na produção. Ainda segundo o IBGE, no acumulado em 12 meses, a produção das indústrias recuou 1,1% em abril, uma diminuição do ritmo de queda registrado em janeiro (-2%), fevereiro (-1,9%) e março (-2%). A expansão da atividade industrial em abril deste ano, na comparação com março, alcançou todas as categorias de uso e 17 dos 27 ramos pesquisados. Os maiores aumentos de produção foram identificados nas atividades: veículos automotores (8,2%), máquinas e equipamentos (7,9%) e alimentos (4,8%). O primeiro setor avançou 15,6% nos dois últimos meses de expansão, o segundo acumulou ganho de 19,3% entre janeiro e abril, e o terceiro eliminou a perda de 4,5% verificada entre fevereiro e março. Entre as nove atividades que reduziram a produção, entre março e abril, merecem destaque: bebidas (-5,9%) e material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-6,5%), que reverteram as taxas positivas do mês anterior: 1,5% e 0,6%, respectivamente. MUITO CEDO Apesar do aumento da produção industrial pelo segundo mês consecutivo, registrado em abril, ainda é cedo para dizer que o setor inicia um processo de recuperação, segundo o gerente da Coordenação da Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), André Macedo. No mês de abril, tem-se um saldo positivo para o setor industrial, algo que não se via no passado recente da indústria, mas precisamos aguardar informações futuras para termos uma ideia se esse movimento vai se dar de uma forma consistente ou não, destacou Macedo. O técnico do IBGE ressaltou que é preciso cautela na avaliação do desempenho da indústria em abril ante março (1,8%), sobretudo, devido a recentes indicadores, como os da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre a volatilidade da confiança do setor e os da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que apontaram redução de vendas de veículos em maio (-5,25%). Segundo Macedo, as principais contribuições para o aumento nos investimentos em bens de capitais, que cresceram pelo quarto mês consecutivo, foram as medidas adotadas pelo governo, com redução de taxas de juros para financiamento, programas específicos para determinados segmentos, além de fatores conjunturais que afetaram a projeção de safra. Mas o setor industrial ainda tem um espaço a percorrer para alcançar pontos que operava em momentos anteriores, como o caso de maio de 2011, patamar recorde do setor industrial.