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ECONOMIA
Segunda-feira, 23 de Junho de 2008, 20h:47

Produção e empregos ameaçados

Mas este cenário transforma o mercado em uma via de mão dupla e perigosa, como chama a atenção o superintendente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindálcool), Jorge dos Santos. “Com esta realidade, o consumidor comemora hoje por pagar R$ 1 pelo litro – uma suposição dele – para pagar R$ 2 amanhã”, exclama Santos. Como esclarece o representante do segmento produtor do combustível, as baixas sucessivas são preocupantes, porque colocam em risco a viabilidade econômica da atividade e quando surge esta ameaça há uma acomodação na produção que poderá resultar em uma oferta menor do produto em 2009. Atualmente, há defasagem entre o valor pago ao produtor (R$ 0,50) para o preço considerado ideal, em R$ 0,80, “pelo menos”, como frisa Santos. Ele completa, ainda, dizendo que o valor de bomba não pode ser abaixo de R$ 1,50, considerando impostos, lucros e o valor pago na usina. Ainda sobre o cenário à atividade, Santos lembra que no agronegócio é a atividade canavieira que mais emprega mão-de-obra. São mais 17 mil empregos. “E tudo isso sofre ameaça da atual conjuntura”, alerta. “Como tivemos dificuldades em trabalhar em abril por conta das chuvas, apesar da lavoura mostrar condições de colheita, os custos operacionais das nossas 11 usinas permaneceram os mesmo, porém a receita prevista não veio. Então, a partir de maio, as usinas como forma de fazer caixa e equilibrar a situação ofertou mais álcool no mercado e isso está se refletindo nos preços ao consumidor”, explica. Ainda como forma de reafirmar a preocupação do setor, Santos faz uma analogia com a situação do arroz mato-grossense. “Há poucos meses, pagávamos cerca de R$ 4 pelo pacote de cinco quilos do arroz. Agora pagamos três vezes mais”. Ele lembra que por algumas safras o Estado esteve entre os maiores produtores do cereal do país, mas a dobradinha da superoferta e alta dos custos de produção, levaram o rizicultor a reduzir drasticamente a produção e nesta safra “o reflexo é esse, uma menor oferta e preços nas gôndolas nas alturas. Com o cenário atual, o álcool corre o mesmo risco na próxima safra”. Não apenas a oferta excessiva preocupa a indústria, mas principalmente a escalada de preços dos insumos. “Se não houver reversão do quadro atual, a safra do próximo ano será desestimulada”, revela o superintendente do Sindácool. Conforme a entidade o preço dos fertilizantes triplicaram, enquanto a tonelada da cana sofreu perdas na sua cotação. “Um hectare de cana teve nesta safra que estamos colhendo custo de R$ 1,7 mil. A projeção para o próximo ano é de que o mesmo hectare demande investimentos de R$ 3,2 mil. Na contramão, a tonelada da cana passou de R$ 42 para R$ 35”. O Sindálcool acredita que esta “maluquice” do mercado está com os dias contados, já que na semana passada houve reação dos preços do álcool hidratado nas usinas de São Paulo e que, em breve, isso se refletirá aqui no Estado. “Mesmo porque a desova de álcool no mercado local para fazer caixa nas usinas já foi feita e a tendência agora é de ajustes”. PRODUÇÃO - O Sindálcool estima uma produção de 450 milhões de litros de álcool combustível este ano. “Não é uma supersafra, pois no ano passado a produção foi de 511 milhões de litros, 13,57% a mais que a safra prevista para este ano. Já a produção de álcool anidro (utilizado para a mistura da gasolina) deverá ter acréscimo de 4,71% nesta safra, passando de 382 milhões de litros para 400 milhões de litros”. O Sindálcool prevê consumo de 150 milhões de litros de hidratado e 100 milhões de litros de anidro em 2008. A entidade confirma que as 11 usinas mato-grossenses – Itamarati, Cooprodia, Libra, Cooperb I, Pantanal, Barrálcool, Gameleira, Jaciara, Cooperb II, Usimat e Alcoopan – já iniciaram a moagem de cana-de-açúcar nesta safra. (MP)

Edição EDIÇÃO 16961




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