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ECONOMIA
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 21h:11

BIODIESEL

Produção do Estado supera em mais de três vezes 2007

Com mais de 40 mil/m³ de B100 produzidos de janeiro a março deste ano, Estado é o segundo do País

MARIANNA PERES
Da Editoria
Com 40 mil metros cúbicos (m³) produzidos no primeiro trimestre deste ano, Mato Grosso detém mais de 18% da produção nacional de biodiesel. Em 2007, os doze meses do ano responderam por 3%, dos mais de 404 mil/m³ do país. Outro número de destaque da produção mato-grossense é o volume obtido nos três primeiros meses de 2008, que supera em mais de três vezes a produção de todo ano passado, que ficou em 12 mil/m³. Somente em janeiro deste ano, a quantidade de B100 já superava o total registrado durante todo ano de 2007. Mato Grosso é o segundo maior produtor de biodiesel B100 do país o Estado só fica atrás do volume de 53 mil/m³ contabilizados em Goiás, no mesmo período. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), estão autorizadas ao funcionamento 19 usinas de biodiesel no Estado, sendo a Agrenco, localizada em Alto Araguaia (415 quilômetros ao sul de Cuiabá) a que detém a maior capacidade instalada: 198 mil/m³/ano. Em seguida está a planta da multinacional ADM, localizada em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), com capacidade instalada anual de 169 mil/m³. O tipo B100 é biodiesel puro. A evolução na produção do combustível no Estado, assim como no Brasil, vai registrando saltos consideráveis de um ano para o outro. Em Mato Grosso, somente comparando março de 2007 com março de 2008, a produção revela alta de mais de 1,400%, pois passou de 209 m³ para mais de 15,9 mil/ m³. Até 2005, o Estado não registrou, pela ANP, produção deste combustível. Já em 2006 foram 13 m³, em 2007 12 mil/m³ e nos primeiros três meses do ano, acumula produção de mais de 40 mil/m³. No País a produção de 2005 foi de 736 m³, passando a 69 mil/m³ em 2006, saltando para 402 mil/m³ em 2007 e contabiliza no primeiro trimestre de 2008 a produção de 213 mil/m³. Segundo o assessor econômico da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Carlos Vitor Timo Ribeiro, pela fartura de matéria-prima de onde o biodiesel pode ser extraído – como soja, girassol, algodão e até sebo animal – a tendência é de que cada vez Mato Grosso agregue este valor. “Porém, vale ressaltar que 80% do grão da soja, por exemplo, é farelo e que só 20% se transformam em óleo, portanto, antes de se produzir o combustível, a usina tem de ter em foco um mercado consumidor para o farelo”, alerta. Ele ressalta ainda que a capacidade de esmagamento das plantas instaladas em Mato Grosso terá de aumentar sua produção nos próximos cinco anos, para dar suporte às unidades da Sadia e Perdigão, que tem como matéria-prima para sua criação de aves e suínos, o farelo de soja. Timo destaca que neste momento em que o óleo de soja tem uma valorização de mais de 94% do primeiro quadrimestre de 2007 para o mesmo período de 2008, o direcionamento do óleo de soja às exportações é certo e que por isso, os produtores mato-grossenses precisam buscar alternativas em outras oleaginosas, como o pinhão-manso, o girassol e até mesmo no amendoim e no caroço de algodão. OPORTUNIDADE – Timo Ribeiro destaca ainda que o biodiesel pode ser produzido também a partir do sebo animal, ou seja, de resíduos bovinos, de aves e suínos). “Se os produtores do Estado puderem absorver esta alternativa haverá dois ganhos ambientais a Mato Grosso. Primeiro, porque não precisa abrir nenhum hectare de lavoura e segundo porque damos destinação aos resíduos animais que muitas vezes são dores de cabeças aos frigoríficos. A palavra mágica destes novos tempos é agregar valor, neste caso, transformamos o que seria uma espécie de ‘lixo’ dos frigoríficos, em produto nobre”. BRASIL – Goiás registra neste primeiro trimestre do ano a maior produção de B100 do País, com mais de 53 mil/m³, seguido de Mato Grosso com 40 mil/m³. Ainda no ranking dos 13 maiores produtores do B100 no Brasil se destacam nas posições subseqüentes: Rio Grande do Sul (34 mil/m³), Rondônia (32 mil/m³), São Paulo (25 mil/m³), Bahia (24 mil/m³) e Maranhão (16 mil/m³). MATO GROSSO – Pelo levantamento da ANP, oito usinas autorizadas registram atividade nos últimos três meses. A Barrálcool (219 m³), a Cooami (15 m³), Araguassu (2 m³), Cooperbio (22 m³), ADM (29 mil/m³), Biocamp (1 m³), Cooperfeliz (94 m³) e Fiagril (8 mil m³).

Edição EDIÇÃO 16967




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