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ECONOMIA
Terça-feira, 22 de Maio de 2012, 20h:21

ÓLEO DE SOJA

Preço segue desenfreado

Gradativamente, preço foi aumentando nas gôndolas dos supermercados e a previsão é de continuidade

MARIANNA PERES
Da Editoria
O preço do óleo de soja nas gôndolas dos supermercados, mercearias e similares disparou em 2012 e nos últimos dias têm assustado a dona-de-casa e, principalmente, aqueles que têm o insumo como uma das principais matérias-primas de sua produção. Num comparativo entre os preços registrados há alguns meses com o atual há um incremento de mais de 63%. Em apenas cinco meses do ano, o preço mais que dobrou ao sair de cerca de R$ 2,19/R$ 2,29 para até R$ 3,35. Um encarregado do supermercado Compre Mais contou que ainda em dezembro a loja chegou a vender o óleo por R$ 1,99. Considerando esse valor a alta chega a 63,31%, ante o maior preço encontrado ontem pelo Diário, R$ 3,25, no Extra. O mais barato foi encontrado no Fort Atacadista, R$ 2,89, seguido do Extra, que por meio da sua marca própria, a Qualitá, exibe a embalagem de 900 ml a R$ 2,99. O Extra oferta o mais caro e o segundo mais barato. O presidente da Associação dos Supermercados de Mato Grosso (Asmat), Kássio Catena, conta que há preços no varejo que chegam até a R$ 3,35 e que a alta foi gradativa. “Desde janeiro observamos a alteração, não foi nada do dia para a noite”. A vendedora Tatiana Souza Neves ficou assustada quando viu o preço do produto a R$ 3,19. “Vou passar em outro mercado mais perto de casa para ver o preço. Acho que vale uma pesquisa rápida”. Ela ainda destacou que mesmo “com os preços nas alturas” havia apenas uma marca disponível, a Liza. “Não tem opção ao consumidor, nem de preço e nem de marca”, exclamou. Valdinei Arruda, um dos proprietários do restaurante da Ernestina, que funciona no Centro Político e Administrativo (CPA), disse que com a escalada dos preços todo dia é dia de comprar óleo. “Ficamos de olho nas promoções e vamos atrás”. Ele conta que há cerca de três meses ainda encontrava o produto, na caixa fechada, por até R$ 2,40. “Por enquanto estamos absorvendo a alta, mas se ela persistir ficará difícil segurar”. Em janeiro, o restaurante reajustou o preço do quilo da comida de R$ 16,90 para R$ 20, período em que Nei nem imaginava que o produto pudesse encarecer tanto assim. ENTENDA - O produto, ingrediente básico para qualquer cozinha, reverbera o bom momento da soja no mercado internacional e por isso chega mais caro ao consumo doméstico. Nos primeiros quatro meses do ano, os preços médios do quilo da soja em grão, do farelo e do óleo exportados aumentaram 44,6%, 42,4% e 132,6%, respectivamente, quando comparados ao mesmo período do ano passado. Na ponta, ou seja, ao consumidor final, o óleo aumentou metade do que valorizou internacionalmente e, por isso, novas altas são aguardadas. Por enquanto, supermercadistas e gerentes dizem que as vendas não caíram, já que se trata de um produto inserido no cotidiano do brasileiro. “As pessoas reclamam, mas levam, afinal, não há substituto”, aponta Catena. Opções poderiam ser os óleos de milho, girassol e canola, mas o preço repele, podendo chegar até a R$ 8,99, como o observado pelo Diário no supermercado Modelo. Lá o óleo de milho, ofertado em duas marcas diferentes, custa R$ 6,99 ou R$ 8,99. “Esses outros óleo não chegam a 5% das vendas de óleo”, completa Catena. ANÁLISE - A má notícia é que a tendência de novas altas segue, na medida em que o grão se valoriza, em parte em um ritmo ditado pela China e noutro, pela demanda mundial. O país, que importa quase 60% da soja mato-grossense, passou a importar o óleo neste ano e já avisou que vai ampliar as compras do derivado. Para ter uma ideia deste peso, basta observar nas estatísticas das exportações que em quatro meses Mato Grosso já embarcou 57% de todo volume comercializado no exterior nos doze meses de 2011. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), no ano passado foram exportadas 368,26 mil toneladas de óleo e de janeiro a abril de 2012, 158,10 mil toneladas. O preço do óleo no Estado vem se mantendo em alta ao longo do ano de 2011 e primeiro semestre de 2012. Em Rondonópolis a tonelada iniciou janeiro de 2011 a R$ 2.216,00 e fechou o ano em R$ 2.617,13, alta de 18,1%. Em 2012 o preço continuou em alta e em janeiro já estava em R$ 2.640,73. Neste mês o preço da tonelada atingiu R$ 2.717,50 e já acumula uma alta de 19,2% ao longo do período analisado. “A disputa pelos grãos para exportação e para o esmagamento no mercado interno, devido à oferta restrita, pode fazer com que os preços continuem em elevação no decorrer do ano”, destaca o Imea. Até setembro o mercado estará altista e com chance de romper novos patamares de preços caso a safra norte-americana, em pleno plantio, tenha problemas que prejudiquem a produção. Se isso acontecer, os estoques mundiais que estão apertados para o exercício 2012 estarão mais limitados, o que pressionará ainda mais os preços da soja, pressão que se estende aos seus derivados.

Edição EDIÇÃO 16966




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