NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sexta-feira, 04 de Outubro de 2013, 21h:01

SOJA 13/14

Plantio lento, praga veloz

Conforme acompanhamento divulgado ontem pelo Imea ritmo da semeadura é vagaroso, mas pragas se multiplicam

MARIANNA PERES
Da Editoria
O plantio da safra 2013/14 de soja, em Mato Grosso, deve ganhar celeridade neste final de semana se as previsões de chuvas se confirmarem sobre as principais regiões produtoras do Estado. Mas, até ontem, o ritmo observado no campo estava aquém do registrado em igual início de mês no ciclo passado. Mesmo ainda sob a cadência do clima – não tão generoso ainda – com semeadura tímida, produtores estão mais preocupados com o rápido desenvolvimento e multiplicação da lagarta Helicoverpa, como mostrou o Diário na edição de ontem, do que com as chuvas. A sexta-feira fechou com 1,4% da área estimada - em 8,27 milhões de hectares – plantada, o que na comparação revela um atraso de 7,23 pontos percentuais (p.p.) em relação à cobertura de 8,6% em igual momento de 2012, conforme o acompanhamento de semeadura divulgado ontem pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A região com maior atraso anual é o médio norte, porção estadual que concentra mais de 40% da produção de soja. Lá, o ritmo está quase 13 p.p. inferior ao que foi impresso há um ano. A estimativa do Imea para a região mais importante de Mato Grosso é a de plantar 3,03 milhões de hectares. Dessa extensão, apenas 1,2% foi cultivado, ante um saldo de 13,8% no início de outubro do ano passado. Analistas e produtores explicam que apesar do atraso na comparação com o mesmo intervalo da safra passada, as primeiras semanas de plantio são sempre assim, tímidas e regidas pelos volumes de chuvas, afinal, foram meses de estiagem e para o plantio são necessárias boas precipitações para dar a umidade ideal á germinação da planta e ainda criar condições de desenvolvimento caso haja intervalos entre uma chuva e outra. O cultivo da oleaginosa é tradicionalmente precoce em Mato Grosso, devido à possibilidade de se fazer duas safras cheias – soja e milho, ou, soja e algodão -, mas a janela ideal começa hoje, dia 5 e se estende até 5 de novembro. ALERTA – Assim como o plantio precoce, as lagartas também surgiram de forma antecipada no Estado, pegando muitos produtores, agrônomos e autoridades de surpresa. No entanto, o ritmo de disseminação acelerado e rápido se choca com a velocidade do plantio, vagaroso e ditado pelas precipitações. Como mostrou o Diário, a região noroeste é a que vem registrando alta população e incidência de lagartas do tipo Helicoverpa encontradas sobre a sojinha recém-plantada. O coordenador da Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do Ministério da Agricultura, Wanderlei Dias Guerra, está desde o mês passado alertando sobre a situação no Estado e acompanhando in loco os relatos de chegam do campo, inclusive com fotos. Na última quarta-feira, ele encontrou uma situação, considerada “crítica” em uma grande fazenda em Sapezal (480 quilômetros ao noroeste de Cuiabá). “Encontramos até seis lagartas de Helicoverpa por metro linear de soja nos primeiros ínstares. O controle precisa ser feito para evitar que a situação se complique”, relatou Guerra. Mas, não são apenas em área recentemente ocupada com milho ou com guaxas de soja e milho é que a lagarta tem sido encontrada. Ontem, Guerra confirmou um novo problema em Campo Novo do Parecis (396 quilômetros ao noroeste de Cuiabá), só que desta vez, em áreas recentemente ocupadas com algodão. “A falta ou incorreta destruição das soqueiras pode trazer consequências drásticas para a cultura seguinte, que neste caso, a soja”. Como destaca, existe muita Helicoverpa em lavoura de algodão onde os restos culturais foram mal destruídos, mais de cinco por metro quadrado “e todas prontas para empupar e, dentro de 15 dias, com os adultos, multiplicar o problema centenas de vezes para cada mariposa fêmea que eclodir”. AÇÃO – Guerra reforça que um plano se ação está sendo colocado em prática no Estado. Nesta semana foi constituído o Grupo Papagaio de Controle Integrado de Pragas que visa justamente unificar ações de combate e controle da Helicoverpa. “Esta é a região do Papagaio (nome do Rio que passa divisando a área com a dos índios). São aproximadamente 1.000 km², ou 100 mil hectares, que serão monitorados em conjunto. Os controles serão feitos, na medida do possível, de forma sequencial, com todos usando os mesmos grupos químicos a cada vez”, explica. Nessa região ao noroeste do Estado os envolvidos vão também trocar informações sobre as ocorrências de pragas, casos de sucesso e oportunidades de melhoria. “Este é o primeiro passo para que ampliemos a ideia para outras regiões, pois, quanto maior a área trabalhada em conjunto, melhor será para todos. Todas as informações serão concentradas comigo, de forma que nenhum produtor, a não ser que o grupo decida abrir as informações, saberá detalhes particulares de outra propriedade”.

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL