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ECONOMIA
Sábado, 03 de Maio de 2008, 14h:33

VIDEOLOCADORAS - II

Pirateiros afirmam que é questão de sobrevivência

Do outro lado da questão estão os vendedores do mercado paralelo

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Indiferentes ao risco de terem seus produtos apreendidos ou mesmo responderem a processos por contravenção, os pirateiros argumentam que a “revenda” de materiais ilegais é uma questão de sobrevivência para a maioria deles. C.S.G., 29 anos, ‘faz ponto’ na Avenida Getúlio Vargas e rua Barão de Melgaço. “Não tenho um lugar fixo, estou sempre à procura de locais com grande movimentação de pessoas”, diz. Casado, dois filhos, ele diz que está na atividade por “questão de sobrevivência mesmo”. “Estou desempregado há mais de dois anos e vender produtos pirateados tem sido a alternativa de sobrevivência para mim e a minha família”, justifica. Com a venda de DVDs piratas, ele consegue uma renda média de R$ 700 por mês. J.F., 35, é vendedor ambulante há 12 anos e diz que a pirataria “dá mais dinheiro” do que trabalhar como camelô. “Já tenho uma clientela fiel, pessoas que compram de mim há algum tempo e inclusive fazem encomendas quando não tenho o produto para entrega na hora”, afirma o vendedor, que é casado e tem três filhos. Ele revela que a pirataria lhe rende mensalmente em torno de R$ 900. “Vendo em média 30 DVDs por dia. Normalmente vendo três peças por R$ 10, mas quando o dia não está bom para venda, chego a entregar até dois DVDs por R$ 5”, conta. F.S.L, 23, residente no Pedregal, também diz que pratica a pirataria “por necessidade”. Ele é pai de dois filhos e está desempregado desde o final do ano passado. “Trabalhava como frentista, mas o dinheiro não estava dando para o sustento da família. Por isso decidi largar o emprego e trabalhar como autônomo”, conta. F.S. não tem um local fixo. “Estou sempre em locais movimentados, como portas de escolas e feiras livres. A situação já esteve bem melhor para nós. Tem muita gente vendendo DVDs por aí, mas mesmo assim tenho conseguido vender até 40 peças por dia. Mas não é mole, pois ando muito e dificilmente pego ônibus”. (MM)

Edição EDIÇÃO 16962




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