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ECONOMIA
Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010, 20h:29

PIRACEMA

Período não afeta preço

Pelo menos por enquanto, a temida valorização do peixe de rio não foi observada no principal entreposto de Cuiabá

ALECY ALVES
Da Reportagem
Menos de um mês após o início da piracema, decretada no dia 5 deste mês, período em que a pesca comercial fica proibida para permitir a reprodução dos peixes, o preço do pescado registra uma redução de cerca de 10% sobre o quilo em feiras e supermercados de Cuiabá. A causa seria a queda na procura do pescado de rio com entrada de mais peixe oriundo de projetos de piscicultura. Além disso, no Mercado do Porto, principal centro comercial de pescado de Cuiabá, os peixes de rio ainda estão sendo ofertados com certa abundância. O filé do pintado, a carne mais nobre das espécies fisgadas nos rios de Mato Grosso, que chegou a ser vendido por R$ 25 o quilo e passou a cerca de R$ 22 em meados de outubro, pode ser encontrado entre R$ 20 e R$ 18 o quilo. Outra espécie não menos importante no cardápio do cuiabano, o dourado, tem o quilo comercializado a R$ 15. O pacu, um dos mais apreciados, pode variar dependendo do tamanho e da preferência do consumidor. No caso do pacu inteiro uma peça de 2,5 a 5 quilos oscila entre R$ 35 e 50. Se preferir comprá-lo semi-industrializado, cortado em ventrechas, um quilo, que correspondente a um pacote com oito postas (pedaços), o consumidor pagará R$ 15. Já o peixe de piscicultura, tambacu e tambaqui, disputam espaço nas bancas de peixes de rio com preços bem mais acessíveis. Essas duas espécies podem ser adquiridas entre R$ 10 e 20 a unidade com peso entre 1,5 e 2 quilos, limpo e sem espinha. Já em forma de ventrecha são encontradas por R$ 10 um pacote com cerca de 800 gramas dividas em oito pedaços. Vendedor de peixe há mais de 10 anos, Manoel do Nascimento Filho garantiu que não faltará pescado do rio durante a piracema. De acordo com feirante, Mato Grosso tem um bom estoque de espécies regionais e deverá, a partir do próximo mês, receber grande quantidade de pescado do estado do Pará, onde não há piracema. Do Pará estão sendo esperados peixes como capari, que seria um similar da cachara mato-grossense, além do surubim, que substituiria o pintado. Além do peixe importado, os piscicultores de Mato Grosso devem introduzir no mercado mensalmente mais de 25 toneladas de diversas espécies produzidas em tanques, no sistema de confinamento. Conforme Oderly Abreu Xaxim, coordenador do programa “Peixe Santo”, da prefeitura de Cuiabá, 20 toneladas são o volume médio consumido mensalmente em Cuiabá fora de períodos diferenciados, como a piracema e a Semana Santa. Portanto, os consumidores que não abrem mão do peixe no cardápio podem ficar tranquilos. Se faltar pescado do rio, o preferido da maioria, terá como opção o produto oriundo de piscicultura ou importado do Pará. A dona-de-casa Maria Antonieta da Costa Pereira, 60 anos, que tem três filhos, três noras e cinco netos, diz que o peixe é o prato principal dos jantares que habitualmente reúnem a família e amigos às sextas-feiras. Ela contou que durante a piracema não compra pescado do rio como forma de ajudar na reprodução dos peixes. Como o produto é muito apreciado em sua família, diz, fizeram opção pelas espécies oriundas da piscicultura. “Assim cultivamos os encontros em família sem alterar o cardápio”, defende.

Edição EDIÇÃO 16961




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