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ECONOMIA
Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011, 19h:37

ARROBA

Pecuaristas perdem R$ 510 mi em MT

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) deu início ontem, a uma discussão que pode provocar a mudança da base de referência do preço médio da arroba do boi gordo em vigor no Estado. A cotação local tem como referência o São Paulo. A diferença de preços impediu que cerca de R$ 510 milhões circulassem na economia local, por meio do pagamento que deixou de ser feito ao pecuarista. A base atual é o “Indicador de Preços do Boi Gordo Esalq/BM&FBovespa”, uma média diária ponderada de preços à vista do boi gordo no estado de São Paulo, com levantamento feitos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em Piracicaba, e serve como base para os preços da arroba do país. “Não podemos permitir que o produtor de Mato Grosso tenha de seguir regras vindas de Araçatuba na hora de vender o seu gado e esse modelo criado para compensar as perdas com o transporte de gado até São Paulo não se justifica mais”, disse o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Nos últimos oito anos o diferencial de base nos preços da arroba do boi gordo entre Mato Grosso e São Paulo foi de 14,5%. Fazendo um demonstrativo de um carregamento de carne numa carreta com capacidade de transporte de 27 toneladas com um frete de R$ 4,43 por arroba de Mato Grosso para São Paulo, isento do ICMS, podemos observar o que vem acontecendo com esse modelo de diferencial de preços. Comparando o valor do preço da arroba vigente no mês de outubro de R$ 98,04, em São Paulo, com o de Mato Grosso a R$ 87,07, e levando em consideração o diferencial de base deste mês que ficou em 12,68%, mais o custo do transporte de R$ 4,43 por tonelada sobra nesse processo um percentual de 8,1%. “Essa conta simples mostra que o produtor de Mato Grosso está perdendo mais de 8% do preço da arroba do boi gordo e se levamos em consideração que no ano passado foram abatidas 4,5 milhões de cabeças de gado, com 16,5 arrobas em média, o que representam 74 milhões de arrobas, com uma perda de 8% de R$ 86, por exemplo, o pecuarista de Mato Grosso esta perdendo R$ 510 milhões e isso também não é repassado para o preço final da carne pago pelo consumidor”, analisa Vacari. ARGUMENTO - Para a Acrimat não existe mais a necessidade desse diferencial, atualmente, já que estão instaladas indústrias frigoríficas para abater gado produzido no Estado. Antigamente o gado seguia vivo para São Paulo numa carreta com capacidade de transportar 27 toneladas, equivalente a 30 cabeças de boi gordo em pé, depois, essa mesma carreta, transportava o gado abatido nos frigoríficos de Mato Grosso e seguiam com a carcaça equivalente a 100 cabeças de gado, hoje essa carreta transporta 27 toneladas de carne, sem osso, o que equivale a 200 cabeças de boi gordo. “Qualquer conta que a gente faça o produtor de Mato Grosso está perdendo e está mais do que na hora de mudar essa fórmula de base de cálculo para o preço da arroba”, defende Vacari. A expectativa é que o diferencial de preços siga regras parecidas com a comercialização da soja, onde a base do preço do produto é a distância do porto. O preço da saca da soja de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá), por exemplo, custa R$ 39 o que equivale 7,7% a menos que a de Rio Verde (GO), cotada a R$ 42. “Temos de pensar em regionalizar os preços da arroba do boi gordo e essa é uma discussão que vamos levar adiante, pois temos de pensar que as coisas mudaram e não podemos utilizar um parâmetro criado há 20 anos”.

Edição EDIÇÃO 16962




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