ECONOMIA
Terça-feira, 07 de Abril de 2015, 22h:11
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ENERGIA - II
Para Fiemt, alta vai além dos 3,43%
MARIANNA PERES
Da Editoria
Para o segmento industrial, mesmo que o índice de reajuste anual tenha sido um dos menores dos últimos anos em 3,43%, na ponta do lápis o impacto da correção vai muito além desse percentual, já que desde o início de março uma Revisão Tarifária Extraordinária (RTE), majorou o custo da energia em quase 27%. Em um intervalo de menos de 40 dias, teremos um alta total de quase 30% sobre um dos principais insumos da indústria. Para algumas, essa matriz representa até 70% de custo sobre a sua produção, alerta o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan. Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou o novo índice de Reajuste Tarifário Anual à Energisa Mato Grosso e que começa a valer hoje, dia 8 de abril. Nós esperávamos uma alta de cerca de 15%, ou seja, acima de dois dígitos em razão do cenário nacional. A alta de 3,43% de fato ficou abaixo da expectativa, mas não deixa de causar preocupação pela majoração total sobre o custo de produção. Infelizmente, esse não é o único aumento que nos impacta nos primeiros meses de 2015, lamenta o dirigente. Como pondera, cada majoração de custo deixa a produção industrial mato-grossense menos competitiva em relação aos seus pares no resto do país. Se considerarmos esses dois aumentos, o autorizado em fevereiro de quase 27% e o que vale a partir de hoje, 3,43%, temos quase 30% de alta e não podemos acompanhar essa correção. As indústrias que dependem de aquecimento para produzir, como a química, metalúrgica, extração de óleo e panificação, são as que mais sentirão o impacto da nova tarifa de energia. Uma planta que tem o alumínio como matéria-prima, e que tem de derretê-lo para produzir a partir dessa ação, fica bastante prejudicada, assim como a de plásticos, que conta atualmente com um bom parque industrial no Estado, como os curtumes também. Como destaca Milan, independentemente dos custos totais de produção, o que rege o mercado é o preço. Quem tiver o menor é que vai vender a sua produção e manter sua demanda. Porém, como a indústria mato-grossense que tem a segunda energia mais cara do país, pode competir em preços?. Antes de entrar em vigor o novo reajuste ao segmento de alta tensão no Estado, a energia local só perdia em custo para a do Rio de Janeiro, conforme levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Vamos aguardar os reajustes de outras distribuidoras, inclusive as que atuam no Rio de Janeiro, para ver como fica esse ranking em 2015, completa. Além da energia, Milan lembra que desde o início do ano houve reajustes sobre os valores do óleo diesel que majora o frete -, dos serviços de comunicação e da carga tributária. E tudo isso, junto à alta da energia, eleva o custo final dos produtos. Para o dirigente, o governo federal deveria subsidiar o custo da energia para que o setor pudesse gerar mais empregos. Para o governo estadual o pleito antigo se mantém: Proposta para redução gradual {ano a ano} da alíquota do ICMS sobre a energia consumida. Para ser competitivo, precisamos aqui em Mato Grosso, de preços. É o preço final que faz a diferença. E a revisão da carga tributária estadual seria a melhor forma, no curto prazo, para minimizar nossas despesas.