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ECONOMIA
Quarta-feira, 25 de Junho de 2014, 20h:21

CONSTRUÇÃO

Otimismo na contramão da média nacional

Enquanto sondagem feita pela CNI revela pessimismo, reflexo da conjunta macro do país, em MT segmento segue a reboque do agronegócio

MARIANNA PERES
Da Editoria
Sondagem realizada pela Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) mostra que a indústria da construção mato-grossense está otimista em relação ao desempenho do segmento. O ‘ânimo’ do setor foi medido no mês passado. Enquanto a boa performance do agronegócio e as perspectivas de expansão da urbanização - como um legado pós-Copa – revelam um contexto promissor no curto e médio prazo, no país, conforme o levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a condução da política econômica pelo governo federal arrefecem as estimativas e fazem aumentar o pessimismo do segmento. O indicador do nível de atividade mato-grossense – que inclui a construção civil, pesada e rodoviária - situou-se em 52,2 pontos, superior aos 48,2 pontos do mês anterior e maior do que os 47,8 pontos de maio de 2013. Ainda conforme a Fiemt, a atividade entre as pequenas empresas cresceu: variou de 50 para 65 pontos, nas médias e grandes empresas o nível de atividade permaneceu estável em 47,5 pontos (abaixo da linha de 50 pontos) indicando atividade abaixo da expectativa nesse porte de indústria. Os indicadores variam de zero a cem. Abaixo de 50 revelam queda. A Utilização da Capacidade de Operação (UCO) aumentou em 2 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mês anterior, quando variou de 66% para 68%, no total das empresas. Em comparação com maio de 2013 caiu em 5 pontos, tendo em vista que a UCO registrou 73% naquele mês. A recuperação da capacidade de operação foi destaque nas pequenas empresas: variou de 30% para 50%, indicando que a pequena indústria trabalhou com metade da sua capacidade. Entre as médias e grandes o índice de UCO variou de 79% para 75% caindo 4 pontos percentuais, porém, utilizando 3/4 de sua capacidade de operação. PERSPECTIVAS - Em junho, as expectativas para os próximos seis meses são positivas na percepção dos empresários do setor da construção. Os empresários se mostraram mais otimistas com a contratação de novos empregados, cujo indicador variou de 57 para 58,7 pontos. Os industriais da construção também estão mais otimistas quanto à adesão a novos empreendimentos e serviços, cujo indicador variou de 53,4 para 55,1 pontos. As expectativas para a compra de insumos continuam positivas, embora menos otimistas: o indicador variou de 64,2 para 62,1 pontos. Quanto ao nível de atividade a variação foi pequena: de 58,8 para 58,6 entre maio e junho, conservando o otimismo entre os empresários da construção. "Os empresários estão cada vez menos otimistas e isso terá impacto sobre o desempenho do setor", avalia o economista da CNI Danilo Garcia. Segundo ele, a queda no ritmo de crescimento da construção resultará em uma menor contribuição do setor para a expansão da economia brasileira. ANÁLISE – O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção do Estado de Mato Grosso (Sinduscon/MT), Cezário Siqueira Neto, explica que a diferença entre o otimismo dos empresários de Mato Grosso ante uma falta de boas perspectivas dos pares nacionais, está nas projeções da economia. “Aqui em Mato Grosso nossa base é o agronegócio, segmento que vai muito bem e o melhor, com perspectivas de expansão, de cenário promissor e isso cria um ambiente propício aos investimentos. Já no ponto de vista nacional, os empresários avaliam a macroeconomia, como metas de inflação que devem ser ultrapassadas e a manutenção da taxa Selic em dois dígitos, e a falta de sinalização de ajustes por parte do governo federal”. Como frisa, essa visão diferente proporcionou análises opostas. Além da base econômica de Mato Grosso, a realidade local – de um Estado que tem muito que crescer em relação à infraestrutura viária e urbana - “nos coloca em outro contexto e esse otimismo não e maior, porque há um certo temor em relação à continuidade das obras de mobilidade urbana e especialmente se o dever de casa será feito, como projetos nas áreas de saneamento e abastecimento de água e a construção de rodovias”, destaca Siqueira. Ele acrescenta ainda, que parte deste otimismo se sustenta numa visão mais a longo prazo, em função do legado que o pós-Copa vai deixar, que são as possibilidades de negócios em várias áreas, já houve uma revolução em parte da infraestrutura viária na Capital, em especial, e em como essa nova ordem estrutural vai impactar no interior. Acreditamos em surto de urbanismo, como legado da Copa, em cidades como Tangará da Serra, Rondonópolis, Sinop e Várzea Grande, por exemplo. O presidente do Sindicato da Indústria de Construção Pesada do Estado de Mato Grosso (Sincop), José Alexandre Schutze, destaca que no segmento rodoviário, seja pela pavimentação de estradas e construção de pontes de concreto, há um cenário positivo de uma movimentação de cerca de R$ 2 bilhões até o próximo ano.

Edição EDIÇÃO 16962




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