ECONOMIA
Terça-feira, 26 de Maio de 2009, 20h:44
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Oscilações da moeda têm forte impacto sobre o frete e preços
O movimento de alta ou baixa na cotação do dólar tem impacto direto nos custos do frete e na formação dos preços da soja no mercado internacional. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), o produtor é o que mais tem sofrido nas últimas safras com a volatilidade do dólar porque tem dificuldade de repassar o aumento dos custos para o preço do produto, já que a soja, por exemplo, tem preços formado em Chicago (EUA) e reflete a lei da oferta e da procura. O dólar baixo prejudica, principalmente, aqueles que estão localizados em regiões mais distantes dos portos de escoamento, como os do Centro-Oeste do país. "O real é a moeda que forma o valor do transporte no Brasil. Quando este custo é convertido para dólar nas baixas cotações, o valor fica mais alto", explica o analista Marcelo Vital. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Prado, grande parcela dos custos dos produtores vem da compra de fertilizantes, cujo preço é cotado em dólar. Para ele, o problema maior não é o patamar nominal do dólar, mas a diferença entre a cotação da divisa no momento em que o produtor assume os custos e aquele em que ele vende a produção. O diretor executivo da Aprosoja, Marcelo Duarte Monteiro, diz que os últimos anos em que o produtor plantou com dólar baixo foram desastrosos. Todos se recordam que entre as safras de 2004 a 2008, os agricultores plantaram com dólar mais alto e colheram com dólar mais baixo. O resultado foi a crise no setor, disse. Segundo ele, a safra 08/09 a atual temporada - foi a primeira em cinco anos em que o dólar foi maior do que na época do plantio. A trajetória declinante do dólar preocupa. Acredito que neste momento o produtor tem de tentar fixar a soja futura, mas desde o ano passado as empresas não estão travando contratos por causa da crise. NA PRÁTICA - Monteiro diz que o frete fica mais caro ou mais barato dependendo da cotação do dólar. Ele faz duas simulações para exemplificar a perda do produtor toda vez que o câmbio sofre redução. Com o dólar a R$ 2, o frete por saca vai custar US$ 6. Se o dólar for a R$ 2,50, o frete cai para US$ 4,50. O momento exige muita cautela, pois ninguém sabe ao certo o que ainda irá acontecer daqui para frente, recomenda. Na avaliação dos analistas, a alta das commodities no mercado internacional ainda está compensando a queda do dólar em relação ao real. "Os preços [das commodities] lá fora estão bons. Estamos trabalhando, por exemplo, com a projeção de soja em grão a US$ 275 por tonelada. No ano passado, nós fechamos os dados oficiais do governo a US$ 227. Então, o preço está cerca de 20% acima do que foi o ano passado. O presidente da Famato, Rui Prado, concorda que os preços hoje estão melhores do que os do ano passado, no entanto lembra, que os custos continuam altos para o produtor. A margem está ruim, muitos tiveram custo de US$ 900. A questão da logística e os altos preços dos fertilizantes estão eliminando nosso lucro. Segundo ele, o produtor gasta hoje 38% da sua renda bruta com frete. Para cada 100 sacas de soja que ele transporta, 38 sacas são apenas para pagar frete. Ainda está caro produzir frente ao alto custo de produção e as incertezas do câmbio. (MM)