ECONOMIA
Sábado, 31 de Maio de 2008, 13h:40
A
A
DESENVOLVIMENTO
Novo rumo para pecuária e mineração
Blairo Maggi pede que cada pecuarista também seja um pouco agricultor para reduzir a pressão da atividade rural sobre o meio ambiente
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Casamento da pecuária com a agricultura. Essa é a proposta do governador Blairo Maggi em busca da consolidação da política de desenvolvimento sustentável. Tal posicionamento, manifestado no 5º Encontro Internacional dos Negócios da Pecuária (Enipec), criou expectativa nos meios empresariais rurais. O Enipec e o 1º Seminário de Mineração e Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, eventos simultâneos realizados em Cuiabá no final da semana passada, porém em locais diferentes, abordaram temas relativos ao desenvolvimento sustentável. Ambos revelaram a dualidade econômica mato-grossense: potencial invejável, porém reprimido por gargalos. A realidade econômica da pecuária tem que se livrar de amarras e a potencialidade mineral precisa se transformar em realidade econômica. Enquanto isso não ocorrer Mato Grosso conviverá com sobressaltos. A pecuária vive um momento de dualidade. No aspecto positivo a arroba do boi está em alta; a Rússia suspendeu a barreira sanitária e reabriu a porteira à carne bovina, que esteve fechada após a notificação de estomatite vesicular em dois bovinos e um suíno em Cocalinho; e a União Européia devolveu ao Estado o status de área livre de aftosa com vacinação. A parte negativa tem que ser debitada à redução do rebanho, que em 2006 era de 26.172.578 cabeças e caiu para 25.740.012 no ano passado, botando fim aos seguidos aumentos anuais que levaram a pecuária mato-grossense ao topo quantitativo do ranking nacional; às pressões ambientais contra a cadeia produtiva; e à degradação de pastagem que se verifica em todas as regiões. A queda do rebanho e a degradação de pastos motivaram o governador Blairo Maggi em seu pronunciamento na abertura do Enipec. Maggi pediu que cada pecuarista também passasse a ser um pouco agricultor, numa espécie de simbiose que pode ser entendida como casamento da pecuária com a agricultura e vice-versa. A fala do governador mostrou o caminho que Mato Grosso deve trilhar: a associação da pecuária com a agricultura para aliviar a pressão sobre o meio ambiente. Maggi também antecipou que lançará um programa para harmonizar a cadeia do agronegócio. Em outras palavras, quer a recuperação das áreas degradadas com lavouras de arroz de sequeiro, aproveitar a soca de culturas para o trato de animais, fomentar o confinamento e, numa escala apropriada, promover a rotação da lavoura com o pasto. Nesse contexto a mineração é peça fundamental. Maggi criou grande expectativa nos meios empresariais sobre a simbiose e sua proposta foi carimbada pelo deputado federal e presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), Homero Pereira (PR). Homero defendeu o direito do produtor rural ao crédito, também para que ele utilize a tecnologia como ferramenta em busca da produtividade, e com isso, não tenha necessidade de abrir novas áreas, resumiu. A base territorial para se produzir grãos e fibras é o cerrado, de solo pobre e que necessita de correção e adubo. Mato Grosso tem calcário em abundância, mas importa outros insumos minerais. Do casamento anunciado por Maggi no Enipec também pode nascer uma nova política mineral, vigorosa, que vá além do campo e passe pelo ouro, gemologia e polimetais.