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ECONOMIA
Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008, 20h:14

MAIS DINHEIRO

Novo mínimo em vigor

Comércio local aposta neste novo volume em circulação. Mínimo atinge US$ 231 e é o maior da história no País

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O reajuste do salário mínimo para R$ 412, a partir de hoje, deverá trazer aquecimento das vendas no comércio da Grande Cuiabá ainda no primeiro semestre deste ano. O novo valor traz reajuste de 8,52% sobre o mínimo pago até ontem de R$ 380. De acordo com o coordenador da Câmara Tributária da Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio/MT), Paulo Gasparotto, o “dinheiro a mais” que irá para o bolso do trabalhador vai para o consumo, beneficiando diretamente setores como a indústria e os serviços. “Acredito que este aumento, embora pequeno, contribuirá para uma melhora no poder de compra da população e, conseqüentemente, das vendas”, afirmou Gasparotto. Para o presidente do Sindicato do Comércio de Tecidos, Confecções e Armarinhos de Cuiabá (Sincotec), Roberto Peron, o dinheiro do aumento vai melhorar a distribuição de renda no país e melhorar o poder de compra da classe assalariada. “Sem dúvida, o reajuste do mínimo irá aumentar o fluxo de dinheiro no mercado e aquecer as vendas. Mas nada de euforia, mesmo porque o impacto será pequeno”, frisou Peron. RECUPERAÇÃO - O ex-coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (UFMT), professor Manuel Martha, diz que com o novo reajuste, o salário mínimo passa a valer US$ 231, “o maior até agora da história considerando que a média sempre foi 100 dólares”. Para ele, a atual política salarial redistribui renda. “É uma política que valoriza a classe de renda mais baixa, permitindo que ela consuma bens de consumo imediato, como alimentação e vestuário”, ressalta. Na avaliação do economista Adriano Figueiredo, o aumento do salário mínimo em índices superiores aos da inflação representa um ganho real para o trabalhador, “mas é preciso analisar outras implicações desta recomposição”. Uma delas, aponta, é o aumento dos custos dos produtos para o consumidor. “Toda vez que há aumento, há um repique de preços em outros setores”. “Sem dúvida, houve uma melhora significativa no poder de compra da população nestes últimos dois anos. O crescimento real do salário mínimo foi maior que a inflação do período”, completa Martha. Na opinião de Adriano Figueiredo, houve uma recomposição gradual do salário mínimo em cima da inflação. “Contudo, se considerarmos todas as necessidades básicas de um trabalhador, como alimentação, vestuário, transporte e medicamentos, chegaremos à conclusão de que o atual salário ainda é insuficiente para que ele sustente e viva dignamente com a sua família”, alerta o economista. O professor Manuel Martha concorda que, de fato, o trabalhador vem recuperando o seu poder de compra com o salário mínimo. “Hoje, o trabalhador consegue comprar mais de duas cestas básicas com um salário mínimo, o que não ocorria há alguns anos. Este é um termômetro da recomposição salarial. Mas o mínimo ainda está longe do ideal. O trabalhador deveria ganhar entre R$ 800 e R$ 1 mil para ter um padrão de vida mais digno”, enfatizou.

Edição EDIÇÃO 16968




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