ECONOMIA
Sábado, 02 de Junho de 2001, 13h:06
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CRESCIMENTO
Nem dólar caro segura importações
Nem mesmo a disparada do dólar foi suficiente para conter o avanço das importações. No mês passado, a balança comercial ficou quase zerada, com superávit de US$ 11 milhões. O forte crescimento das importações anulou o efeito do aumento das exportações. No ano, o déficit acumulado é de US$ 547 milhões. Em maio, o dólar comercial subiu 7,95%. Em tese, a valorização da moeda faz com que os produtos brasileiros fiquem mais competitivos no exterior. Ao mesmo tempo, essa alta desestimula as importações. Na comparação com abril, as exportações de maio cresceram 13,5%, totalizando US$ 5,37 bilhões. Já o aumento das importações foi de 16,2%. Em relação a maio de 2000, as exportações do mês passado cresceram 6%, e as importações, 13,9%. O aumento das importações em maio foi puxado pelo crescimento econômico. Os gastos com a aquisição de máquinas e equipamentos aumentaram 30% em relação ao mesmo mês do ano passado. A importação de bens de consumo subiu 11,7% no mesmo período. A grande procura por equipamentos e matérias-primas importadas foi responsável por 87% do aumento das importações nos cinco primeiros meses do ano. O secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Roberto Giannetti da Fonseca, disse que o aumento da importação de gás natural para alimentar as usinas termelétricas que estão sendo construídas deve afetar a balança. "Vai pesar na ponta das importações", afirmou Giannetti. E completou: "Mas a energia elétrica mais cara é aquela que a gente não tem". Do lado das exportações, o destaque foi o crescimento de 20,3% nas vendas de produtos básicos para o exterior na comparação com maio do ano passado. Segundo a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, essa alta foi puxada pelo crescimento de 23,4% nas exportações de soja em grãos. Isoladamente, a soja é o produto que o Brasil mais exporta. Em maio, suas vendas somaram R$ 416 milhões. A exportação de bens industrializados subiu 10,3% em relação ao resultado de maio de 2000. O desaquecimento das economias dos países do Mercosul afetou o desempenho das exportações brasileiras. No mês passado, as vendas direcionadas para Argentina, Uruguai e Paraguai caíram 2,1%, enquanto as exportações para todos os demais blocos econômicos cresceram. O Mercosul é o destino de 12% de todas as exportações brasileiras. Para Giannetti, a queda nas vendas resulta da "falta de crescimento econômico na região". "Não há comprador, o consumo está estagnado", disse Giannetti. A Argentina, maior parceiro comercial do Brasil no Mercosul, comprou, no mês passado, US$ 537 milhões em produtos brasileiros, valor 1,8% menor que o de maio de 2000.