ECONOMIA
Segunda-feira, 26 de Maio de 2008, 20h:11
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OIE
MT recupera status
Com aval mundial que atesta condição sanitária do maior rebanho do País, Estado mira novos mercados e pecuária aguarda novo momento
MARIANNA PERES
Da Reportagem
Mato Grosso e mais dez estados brasileiros recuperaram ontem o status sanitário de livres da febre aftosa com vacinação. A reabilitação foi anunciada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, após ser comunicado da decisão da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Autoridades mato-grossenses comemoraram a notícia e vislumbram que a médio prazo novos mercados poderão ser alcançados a partir de agora, como o Chile e outros 150 países que exigem este selo de sanidade contra a aftosa. Ampliando mercados com a entrada de novos consumidores, a tendência é que haja alta sobre a cotação da arroba nos próximos meses, já que a oferta de animais é escassa no momento. Há cerca de três anos, após o surgimento de casos da doença no Mato Grosso do Sul e no Paraná, estados vizinhos mesmo sem o registro da febre aftosa foram penalizados pela perda do status sanitário e como conseqüência, perderam espaço também no mercado internacional. A reabilitação que deverá ser oficializada hoje durante a 76ª Sessão Geral plenária da OIE, em Paris, atinge o Distrito Federal, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Tocantins. A reabilitação mato-grossense foi muito comemorada na tarde de ontem pelos técnicos da área de pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). É um mérito ao produtor que vacina e está vacinando o seu rebanho, disse o consultor da entidade, Luiz Carlos Meister. Ele lembrou que Mato Grosso, que detém o maior rebanho bovino do país mais de 26 milhões de cabeças está há mais de 12 anos sem registrar focos da doença, mas que em razão das tratativas internacionais, foi penalizado com perda do status de livre com vacinação, após os focos registrados no Mato Grosso do Sul em outubro de 2005. Todo o circuito pecuário do Centro-Oeste, exceto Mato Grosso do Sul que registrou a doença, está reabilitado à condição de livre com vacinação. O status credencia Mato Grosso internacionalmente às exportações. A decisão da OIE é um selo que atesta em nível mundial a sanidade dos rebanhos em relação à aftosa. Para o superintende geral da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, a recuperação do status sanitário é um grande salto à pecuária estadual, principalmente em relação às exigências da União Européia e que certamente, abrirão novos mercados ao Estado. Com a OIE avalizando a situação sanitária do Mato Grosso e de mais dez estados brasileiros que são grandes produtores e exportadores de carnes bovinas colocam-se por terra qualquer dúvida sobre aspecto sanitário e isso, certamente, fará com a UE reveja seus conceitos. Grande parte do mercado internacional vai se basear na recuperação do status e com isso, abrir mercado à carne mato-grossense e brasileira. Não há mais embasamento técnico para depreciar nosso rebanho, comemora Vacari. IMPACTOS Com relação aos impactos do anúncio da OIE sobre as cotações da arroba do boi, Vacari explica que isso será um efeito da ampliação do mercado consumidor. Estamos numa fase em que a oferta está enxuta, o que por si só regula o mercado para uma posição altista. A partir do momento em que novos compradores se apresentarem, é natural um novo ordenamento positivo de preços ao pecuarista. Já Meister destaca que ontem, a arroba foi comercializada a R$ 77 em Cuiabá, contra R$ 74 na última sexta-feira. De fato, temos um mercado em ascendência, depois de cinco anos de perdas. A queda de rentabilidade levou o criador a dilapidar seu rebanho e ao invéns de manter a média de abates em 35% de fêmeas, elevou esse número para 50% no ano passado. Agora vivemos uma crise de falta de bezerros e bois prontos ao abate e é isso que hoje influencia o mercado e o torna remunerador, à primeira vista ao pecuarista. Para o consultor da Famato, o momento é de recuperar perdas, corrigir as finanças. Mesmo porque, a arroba em alta e com tendência de alta, leva consigo, os preços dos insumos, como o sal mineral que em um ano dobrou de preço. Se a arroba hoje revela um incremento de cerca de 90% no seu valor, vale lembrar que os insumos sobrem na mesma proporção, assim como o preço da mão-de-obra, argumenta. OIE - Segundo Stephanes, o Mato Grosso do Sul ainda não foi reconhecido pela entidade como área livre da doença, pois faltaram informações técnicas adicionais. "Essas informações serão entregues à OIE e, dentro de 60 dias, o status como área livre deve ser reconhecido A o Mato Grosso do Sul", disse Stephanes. O ministro descartou que a mudança possa incrementar a receita com exportações no curto prazo, já que existe uma baixa oferta de animais para abate no mercado interno brasileiro. (Com Agência Estado)