ECONOMIA
Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008, 21h:11
A
A
SOJA/MT
MT planta com 25% a menos de adubo
Os produtores mato-grossenses estão semeando a safra 08/09 de soja utilizando 24,5% menos fertilizantes que o total necessário para atender a área estimada ao cultivo da oleaginosa no Estado. Até o dia 20 de setembro, o volume de adubos adquiridos correspondeu a 340 quilos por hectare ante a necessidade de 450 quilos. Os dados constam do levantamento realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), órgão ligado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), e apontam que 2,3 milhões de toneladas (t) de fertilizantes foram comprados pelas empresas (tradings, cooperativas), sendo que desse total apenas 2 milhões/t chegaram às mãos dos produtores. Para esta safra iniciada na semana passada no noroeste de Mato Grosso - a previsão é de que serão necessários 2,650 milhões de toneladas, levando em conta o aumento de 4% na área destinada ao plantio de soja, que deverá chegar a 5,88 milhões. Dos 2,3 milhões de toneladas adquiridos pelas empresas, as 300 mil toneladas ainda não chegaram ao campo porque o produtor não tem crédito para financiar e nem dinheiro para comprar à vista, informa o superintendente do Imea, Seneri Paludo. O economista avalia que não há perspectiva de que as 300 mil toneladas cheguem aos produtores, mesmo com a queda verificada nas últimas semanas nos preços dos fertilizantes. Houve uma redução pontual nos preços. O valor médio saiu de US$ 1 mil em junho para US$ 690 na semana passada, em Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá). Talvez seja uma tentativa dos fornecedores de desovar o estoque, mas não sabemos se haverá êxito. As condições do solo em Mato Grosso exigem o dobro da quantidade de fertilizantes utilizada em outras localidades, mas nesse momento não há como o sojicultor usar o mesmo nível de tecnologia do ano anterior. As altas dos preços desses insumos e a falta de crédito impedem um aporte maior, o que poderá refletir na produtividade desta safra que se inicia, avalia o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Glauber Silveira. Paludo acrescenta que, mesmo que todo o volume das empresas (2,3 milhões/t) seja repassado ao produtor, ainda assim faltarão 350 mil toneladas (13%) de fertilizantes para atender ao aumento previsto de área. O clima nesta safra tem que ser mais que perfeito para manter a produtividade obtida na safra 07/08, que foi recorde. A produtividade média foi de 52 sacas por hectare, volume que não era visto desde a safra 04/05.