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ECONOMIA
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012, 21h:40

MOODY´S

MT em grupo seleto

Estado ganhou recentemente grau de investimento global, ‘selo’ que ajuda na negociação e atrai capital estrangeiro

MARIANNA PERES
Da Editoria
Mato Grosso é tão bom para se investir como São Paulo. Estado campeão nacional na produção de grãos e fibras, tem o mesmo peso que o industrializado estado de São Paulo, conforme avaliação da agência internacional de risco Moody´s, que no início de abril – após meses de estudos – elevou o Estado ao nível de grau de investimento com índice Baa3, o mesmo conquistado por São Paulo, até então, único Estado brasileiro com rating. De maneira simples, a classificação é como um selo de qualidade que diz que o Estado tem capacidade de honrar empréstimos de longo prazo tomados no mercado brasileiro ou internacional. A classificação cai como uma luva para o governo do Estado no momento em que negocia a reestruturação de sua dívida com o governo federal, em cerca de R$ 4 bilhões. Parte desse total, R$ 1,2 bilhão seriam reestruturados por meio de injeção de capital internacional. Quando uma agência considera um país, empresa ou Estado “bons pagadores” eles recebem o grau de investimento. Trata-se de um selo de qualidade que indica baixíssimo risco de calote. A perspectiva sobre os ratings é estável, como frisa a Moody´s. Para o governador do Estado, Silval Barbosa, o rating surtirá efeitos no curto prazo, especialmente no que diz respeito às obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo, onde Cuiabá é uma das cidades-sede. “Tranquilidade para obtenção de financiamentos”. O rating é o resultado da avaliação do risco de crédito e o grau de investimento é o indicador da boa qualidade do rating, o risco. O rating, marco inédito para as finanças do Estado, deve ser reforçado ainda neste ano com novo anúncio, desta vez da Standard & Poor's, outra agência internacional, que também dará sua nota em breve. Existem três grandes agências de avaliação de risco no mundo e duas delas se debruçaram sobre Mato Grosso. Além da Standard & Poor's e da Moody´s, existe a Fitch Rating, que em fevereiro deste ano rebaixou a nota da Grécia. Com o grau de investimento avaliado e avalizado por uma das maiores agências de classificação de risco do mundo, a Moody´s, a expectativa é de que um novo marco na economia do Estado se inicie em 2012 e que isso seja percebido também nas empresas privadas sempre que tiverem necessidade de acessar recursos externos, como, por exemplo, as tradings agrícolas. “O rating faz com que o mercado global perceba que Mato Grosso é um bom ambiente de negócios para o capital privado”, explica o secretário-adjunto da Casa Civil, Vivaldo Lopes, que é economista e acompanhou os ritos pelos quais o Estado passou até adquirir o grau de investimento e coordena o processo de reestruturação da dívida. Como completa Lopes, o rating é a certificação de uma agência especializada em classificação de risco sobre a capacidade de um país, uma empresa, Estado ou município de pagar as suas dívidas. Por exemplo, se uma empresa oferece títulos que renderão juros aos investidores, a agência emite opinião sobre os riscos envolvidos na compra destes papéis. Em relação aos países, avalia a capacidade deles de pagar os títulos de longo prazo que lançam no mercado internacional. No caso de estados, a agência avalia sua capacidade de honrar empréstimos de longo prazo tomados no mercado brasileiro ou internacional. E foi justamente para apresentar sua capacidade de honrar dívidas é que o governo do Estado pediu o rating para ter meios de obter empréstimos mais baratos para reestruturação de sua dívida com o governo federal. A negociação está sendo feita junto ao banco Merrill Lynch Bank of América e prevê o aporte de R$ 1,2 bilhão. Lopes explica que a classificação de risco de Mato Grosso é fato relevante por duas razões básicas: a primeira por não ser uma certificação comum aos órgãos públicos e segundo, porque o Brasil como nação só obteve sua primeira classificação de risco após mais de 500 anos de história, no primeiro trimestre de 2008. Aquela nota foi idêntica à que Mato Grosso acaba de receber (Baa3) e que três anos depois foi elevada para um melhor nível, Baa2. São Paulo teve sua classificação em 2010. O ideal é que anualmente sejam emitidas as notas para se acompanhar o rating, neste caso, o de Mato Grosso.

Edição EDIÇÃO 16960




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