ECONOMIA
Terça-feira, 28 de Maio de 2013, 21h:05
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CLANDESTINA
MPE ingressa com ação para impedir venda de carne suína
Conforme relatório, abate acontecia perto das baias, com varejeiras, insetos e odor
Proprietários de dois açougues, no município de Barra do Garças (506 quilômetros ao leste de Cuiabá), foram acionados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE/MT) por vender carne suína oriunda de abate clandestino. O responsável pelo matadouro e a dona da chácara onde os porcos eram abatidos também foram citados na ação civil pública. Além de requerer a paralisação imediata das atividades de abate clandestino, o MPE pleiteia o pagamento de indenização por danos morais coletivos, já que os requeridos infringiram normas de ordem pública que regem a saúde, higiene e relações de consumo. Consta na ação que, no local do abate havia muita fumaça e os detritos resultantes de tal atividade exalavam um forte odor fétido. Conforme relatório da Vigilância Sanitária, os animais eram abatidos próximos às baias em local aberto e exposto ao contato com insetos e animais domésticos, identificada, ainda, a presença de varejeiras na carne dos animais abatidos, torando-a imprópria ao consumo humano. O transporte da carne também era feito de forma irregular em veículo de carroceria coberto por uma lona suja, fétida e em contato com as partes metálicas do carro. Segundo o MPE, na primeira inspeção realizada pela Vigilância Sanitária no local foram encontrados 53 porcos e o matadouro foi interditado. Passados alguns dias, no entanto, técnicos constataram que as atividades não haviam se encerrado e identificaram no local apenas 25 animais. Os responsáveis pelo matadouro não comprovaram a destinação lícita dos outros animais. É inadmissível que práticas medievais ainda sejam utilizadas diante da modernidade das técnicas de consumo e da produção alimentícia, no que concerne à higiene e sanidade dos estabelecimentos e dos produtos, visando à saúde do consumidor, afirmou o promotor de Justiça Marcos Brant Gambier Costa. Na ação, o representante do Ministério Público destaca que a comercialização de carne não inspecionada pelos órgãos competentes 'quebra' toda a sistematização minuciosa criada para a proteção da saúde pública no consumo de alimentos. Ressaltou, ainda, que o fornecimento de carne sem qualquer inspeção sanitária no abate expõe os consumidores ao risco grave de doenças como toxoplasmose, teníase, cisticercose, brucelose e tuberculose, prejudicando, também, o controle de zoonoses, bem como as políticas públicas combate e prevenção de doenças. Foram acionados pelo MPE o comerciante responsável pelo abatedouro clandestino, José Barros da Silva, a proprietária da chácara onde a atividade era exercida, Aparecida Brito Pontes e os proprietários da Casa de Carne Imperial, Éverson David de Barros e da Casa de Carne Real, Eduardo Goes da Silva. A ação civil pública foi proposta no dia 24 de maio.