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ECONOMIA
Sábado, 18 de Abril de 2009, 12h:49

Modalidade de crédito embute risco ao consumidor desatento

As estatísticas mostram que 34% dos brasileiros economicamente ativos possuem cartão de crédito. O dinheiro de plástico tanto para crédito como para débito automático tem o uso incentivado não só pelas administradoras, responsáveis por enviar o produto à casa do consumidor - muitas vezes sem que ele mesmo peça - como também pelo lojista, que vê no cartão uma forma de evitar os rombos provocados por cheques devolvidos e inadimplência. Para o consumidor, o cartão se traduz em um instrumento de crédito rápido, mas que esconde riscos. Uma faca de dois gumes, como alguns costumam dizer. Muitas vezes, no ímpeto de comprar um bem, o detentor do cartão não faz nem aquela continha para ver se o novo gasto irá comprometer sua renda e levá-lo ao endividamento. Exemplos de endividamento pela utilização indevida de cartões existem aos montes. A promotora de vendas Amélia Resende de Freitas, residente no bairro Morada da Serra, já passou por essa experiência. Ela tinha cartões de crédito de três bandeiras diferentes – Credicard, Visa e Diners – e perdeu o controle dos saldos e dos compromissos assumidos nas lojas. “Comprei em quatro lojas diferentes e em dois supermercados. Não anotei os valores das compras em uma caderneta e aí as faturas foram chegando uma atrás da outra. Como não tinha saldo suficiente para efetuar o pagamento integral das parcelas, acabei pagando o mínimo de duas compras e a dívida acabou virando uma bola de neve”, conta ela. Paula Renata Macedo, funcionária pública, também já passou por apuros devido à má utilização do cartão. “Logo na terceira compra perdi o controle e levei muito tempo para sair da dívida, que só crescia porque eu não dava conta de pagar os valores integrais das faturas”. Ela diz que tão logo se safou da dívida, decidiu fazer o cancelamento do cartão. “Quebrei o plástico na hora, fiquei dois anos sem comprar com cartão. Realmente foi um trauma para mim, mas hoje estou consciente e sei da importância de ter um cartão em mãos e utilizá-lo corretamente”. MATO GROSSO - Levantamento das administradoras aponta que as compras com cartão de crédito dos consumidores no ano passado ultrapassaram a cifra de R$ 4,2 bilhões em Mato Grosso, média mensal de R$ 350 milhões. O plano mais utilizado foi o pagamento em até seis parcelas. De acordo com o Sindicato do Comércio de Tecidos, Confecções e Armarinhos de Cuiabá e Várzea Grande, 90% das empresas comerciais da região já trabalham com cartões. “É uma tendência irreversível que está se consolidando também em Mato Grosso”, diz o presidente da entidade, Roberto Peron. Ainda assim, os empresários consideram o volume de compras por meio dos cartões ainda pequeno. Nos Estados Unidos, 60% de todas as transações no varejo são realizadas por meio de plásticos. Na média Brasil, este índice não chega a 40% e, em Mato Grosso, está em torno de 25%. O cartão de crédito é visto como solução para o comércio fugir dos cheques sem fundo. “É bom para o lojista, porque o risco de inadimplência é zero, o que compensa até pagar a taxa às administradoras", ressalta Peron, ao comparar a modalidade de crédito com o cheque pré-datado. CUIDADO – Se por um lado é bom, por outro é preciso tomar muito cuidado antes de adquirir um cartão. Às vezes o consumidor é assediado por telefonemas e acaba sendo convencido pelas administradoras a “aceitar” o cartão. Como o consumidor não está suficientemente preparado e esclarecido para trabalhar com o cartão, ele acaba utilizando-o de forma indevida e ficando encalacrado em dívidas. (MM)

Edição EDIÇÃO 16962




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