ECONOMIA
Quinta-feira, 13 de Março de 2008, 20h:31
A
A
SISBOV
Ministério anunciou que vai descredenciar certificadoras
Decisão de cortar empresas será tomada depois de auditorias, no mês que vem
O governo federal deve descrendenciar empresas certificadoras que não tenham condições de fiscalizar se as fazendas de gado estão cumprindo as regras definidas pelo Ministério da Agricultura para a rastreabilidade do rebanho bovino - uma das exigências feitas pela União Européia para reabrir as importações de carne do Brasil. A decisão de cortar empresas será tomada depois que técnicos dos serviços federal e estadual de inspeção fizerem auditorias, a partir do mês que vem, nas 47 certificadoras credenciadas pelo ministério. Para a força-tarefa, entre 80 e 100 técnicos passarão, em Brasília, por cursos de reciclagem. O trabalho é uma resposta do governo brasileiro às críticas da missão de veterinários europeus que encerrou ontem uma vista de 18 dias a 27 fazendas de cinco estados para inspecionar as condições de produção da carne bovina a ser exportada para a União Européia (UE). As importações estão suspensas desde 1º de fevereiro por causa das deficiências verificadas no rastreamento do gado. A inspeção foi feita entre as fazendas que integravam uma lista de 106 propriedades que o governo federal considerava que cumpriam todas as exigências da UE. Mas, nove fazendas dessa lista acabaram sendo cortadas durante o trabalho de inspeção, a pedido dos próprios pecuaristas ou porque não cumpriam as regras de rastreabilidade. O total das propriedades habilitadas, assim, já caiu para 97 - número muito inferior às mais de 2,8 mil fazendas incluídas pelo governo em janeiro, numa primeira lista rejeitada pela UE. A lista definitiva, no entanto, só será conhecida depois que os técnicos europeus apresentarem suas conclusões aos organismos sanitários da UE, em Bruxelas. Na reunião final realizada na última quarta-feira, com o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, os europeus disseram, segundo o secretário, que as certificadoras "deixaram a desejar no cumprimento de seu papel". Os europeus exigiam que técnicos das certificadoras acompanhassem as visitas, mas numa das fazendas em Minas Gerais a certificadora não teria acompanhado o trabalho de campo. Kroetz admitiu que há problemas no trabalho dessas empresas. "As certificadoras foram credenciadas para informar ao governo se a rastreabilidade está sendo cumprida, mas as auditorias mostraram que há falhas." Numa apresentação preliminar - o relatório final com as conclusões da visita deve estar enviado ao Brasil num prazo de 20 dias -, os europeus consideraram que houve progressos na implantação do novo modelo de rastreabilidade, que prevê a certificação por propriedade e não mais por animal. "Eles avaliaram as ações como adequadas, mas que ainda não houve tempo para que elas surtissem efeito", contou Kroetz. Falhas também foram apontadas no sistema de controle da movimentação de animais. "Eles disseram que algumas propriedades não tinham documentação exigida", contou. Mesmo com as deficiências, Kroetz aposta que a lista de fazendas aptas a exportar para o bloco vai aumentar à medida que forem feitas auditorias nas propriedades.