ECONOMIA
Sábado, 31 de Julho de 2010, 11h:58
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ETANOL
Milho, a bola da vez
Saída para superprodução estadual pode estar no aproveitamento do excedente para produção de combustível e, assim, agregar valor
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Depois da cana-de-açúcar (para a produção de álcool), do biodiesel e do gás natural, o milho surge como a bola da vez para os produtores mato-grossenses e agora como matéria-prima para produção de biocombustível. Em Mato Grosso, os pontos positivos relativos ao milho - produção beirando 8 milhões de toneladas na safra 09/10, status de maior produtor de milho safrinha do Brasil são sufocados pelos problemas: falta de armazenamento, frete caro e custos elevados de produção. Em razão desta realidade, os produtores do Estado miram uma solução para uma cultura que vem se tornando inviável, da porteira para fora das propriedades rurais. E a saída, ao que tudo indica, pode estar na produção de etanol, como forma de aproveitar o excedente, garantir um preço melhor ao produtor e evitar o passeio do grão para os grandes centros. Ao mesmo tempo, o projeto irá agregar valor à matéria-prima e estimular a verticalização da produção, gerando mais emprego e renda no Estado. Em Mato Grosso, iniciativa neste sentido está sendo tomada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT). Uma usina deve começar a fabricar etanol de milho, em caráter experimental, na cidade de Campos de Júlio (553 quilômetros a noroeste de Cuiabá). SIMPLES - Etanol, ou álcool etílico, é produzido pela fermentação e destilação de açúcares simples do milho. Nos Estados Unidos, o etanol é misturado à gasolina em proporção de 10% para produzir o gasohol. Em sua forma mais pura, o etanol pode ser utilizado como uma alternativa de gasolina em veículos modificados para este fim. De acordo com os produtores, o custo de produção do milho é maior do que o preço que o produtor recebe. Os grandes centros consumidores do grão ficam distantes de Mato Grosso e o frete torna inviável comercializar a produção, mais ainda a exportação. De olho nisso, a Aprosoja/MT vem tentando há algum tempo descobrir uma forma de aproveitar este milho para produzir etanol, assim como fazem os norte-americanos. Antes o valor do investimento era alto, mas agora foi desenvolvido um equipamento mais barato, capaz de transformar o sonho em realidade. Segundo Carlos Fávaro, diretor administrativo da Aprosoja/MT, o custo para ativar uma usina de biodiesel, passando-a para etanol de milho, é baixo. Vamos conversar com os donos de algumas usinas de biodiesel para tentar viabilizar a mudança de matriz, ou simplesmente acrescentar o equipamento para o processamento de milho para a produção de etanol. PILOTO - A Aprosoja/MT garante que a máquina custa R$ 400 mil e seria capaz de processar sete mil quilos de milho por dia. A ideia é instalar o equipamento em usinas de biodiesel. O projeto piloto está apenas começando no município de Campos de Júlio. Se der certo, a intenção é ter 40 usinas em funcionamento no Estado. Juntas, elas poderiam absorver 20% da produção de milho em Mato Grosso, o equivalente a cerca de 1,5 milhão de toneladas. Com a usina de etanol de milho Fávaro garante que Mato Grosso terá condições de consumir boa parte da produção, evitando problemas de armazenamento e fretes caros para levar o produto a outros mercados. Vamos exportar grãos o quanto menos possível e procurar processar a matéria-prima em nosso próprio Estado. Queremos agregar valor ao produto, ao mesmo tempo em que viabilizamos melhores preços e mais renda para os produtores, ressalta. Se não fossem os programas de incentivo do governo federal, atualmente o milho de Mato Grosso seria vendido por R$ 6 a saca. Com os leilões PEP e Pepro, o produtor consegue vender a R$ 11. Para a Aprosoja/MT, o milho teria um preço ainda maior se vendido para a usina. O projeto do etanol de milho no Estado conta com apoio da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e de universidades. A Aprosoja/MT também estuda o processo de registro dos produtores e distribuidores de etanol junto à Agência Nacional do Petróleo (ANP). (Veja mais na página C2)