Mesmo com o aval, Brasil não aplicará sanções agora
Apesar de os Estados Unidos terem descumprido uns dos itens do acordo que evitou que o Brasil retaliasse bens e patentes norte-americanas, possibilidade que foi estabelecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC) no caso do contencioso do algodão, o governo brasileiro não deve aplicar de imediato as sanções a que tem direito. O chefe do Departamento Econômico do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey, disse ontem que os negociadores norte-americanos prometeram, na reunião da última quarta-feira em Washington, definir nos próximos dias um novo prazo para tentarem obter a liberação sanitária. Reportagem divulgada anteontem pela Agência Estado mostrou que os norte-americanos estariam vulneráveis a uma possível retaliação comercial por parte do Brasil, devido ao fato de não terem cumprido a promessa de abrir o mercado para a carne de porco produzida em Santa Catarina até o dia 30 de setembro. Para o diplomata, a possibilidade de retaliação existe, porque a questão da carne suína de Santa Catarina, apesar de não constar no acordo principal entre os dois países, que até o momento teria sido cumprido satisfatoriamente, é encarada pelo governo brasileiro como um compromisso político dos norte-americanos. Caso não haja uma resposta positiva até a próxima reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), em 17 de novembro, o assunto deverá ser discutido pelos ministros do conselho.