ECONOMIA
Quinta-feira, 06 de Novembro de 2008, 19h:48
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CRISE NO CAMPO
Menos R$ 2 bi em caixa
Presidente da Famato critica anúncio do governo federal e avisa que reflexo será imediato na arrecadação de MT
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Ottoni Prado, disse ontem que a decisão do governo federal em não autorizar uma nova prorrogação das dívidas rurais dos produtores mato-grossenses é equivocada e pode trazer graves conseqüências ao setor. Uma das mais evidentes serão as perdas na arrecadação do Estado, no próximo ano, que, segundo o segmento, podem ultrapassar a R$ 2 bilhões pelo recuo da produção e produtividade. Se ainda falta dinheiro para concluir o plantio, como vamos pagar as dívidas?, questiona. E completa: Os produtores simplesmente vão deixar de pagar porque não têm de onde tirar o dinheiro, afirmou Prado. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) estima que a área plantada de soja não deverá sofrer redução na próxima safra, porém a produção vai cair pelo menos 800 mil toneladas devido à utilização de fertilizantes em menor escala este ano. Conforme o Imea, Mato Grosso iniciou a temporada agrícola 08/09 com uma equação negativa para quem planta: custos de produção elevados em 43% nos últimos doze meses e o valor das principais commodities recuado em 46% no período de junho a setembro deste ano. O resultado do desencontro contábil é um déficit de R$ 2,8 bilhões para o produtor concluir o plantio das três principais culturas mato-grossenses: soja, milho e algodão. CPR - Rui Prado afirmou que os recursos suplementares de R$ 1 bilhão anunciados pelo governo federal como linha de crédito especial para financiamento da safra agrícola, por meio de Cédulas do Produto Rural (CPR), não chegarão ao produtor. É uma medida inócua. A nova linha de financiamento para os bancos credores que o governo quer aprovar e que teoricamente pode significar mais crédito para o setor rural também foi criticada por Rui do Prado. Essa nova linha é um negócio impossível, pois o produtor nunca vai estar com sua situação cadastral em condições de acesso ao financiamento, uma vez que nem a dívida temos condições de pagar. O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) defendia um prazo extra para o pagamento das dívidas que não foram pagas, que somavam R$ 1 bilhão, de um total de R$ 5 bilhões da parcela de investimentos. No entanto, ele informou que não haverá prorrogação da data de pagamento. Isso quer dizer que os produtores não terão como pagar as dívidas, afirmou o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira. Temos problemas de caixa, precisamos de dinheiro para plantar e não há como desviarmos o nosso foco [plantio da safra] neste momento, disse. Como socorro emergencial, os produtores defendem a inserção de recursos da ordem de R$ 1,61 bilhão no Orçamento Geral da União para ajudar a fazer a sustentação dos preços mínimos. Só o R$ 1,5 bilhão previsto não será suficiente, reclamou Silveira. Ele diz que os produtores não precisam de uma nova linha de financiamento, mas apenas negociar a prorrogação da dívida por mais alguns anos. Se o banco quiser, pode entrar na Justiça e tomar nossas máquinas. Fizemos o que podíamos. Infelizmente, a realidade é essa e hoje nada mais podemos fazer, lamentou. FRA - Na quarta-feira foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o decreto nº 6.628 que aprova o Fundo Garantidor de Financiamentos (FGF). O FGF é um aporte complementar para a linha de crédito no valor de R$ 2,2 bilhões do FRA. O prazo de adesão dos produtores ao FRA termina no próximo dia 30 de dezembro de 2008.