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ECONOMIA
Segunda-feira, 20 de Julho de 2009, 20h:11

ROTA AÉREA

Manaus está mais perto de Cuiabá

EDUARDO GOMES
Enviado Especial a Manaus
De costas um para o outro. Assim sempre estiveram os vizinhos Mato Grosso e Amazonas quando o assunto era transporte aéreo. Esse distanciamento não mais existe. A Trip Linhas Aéreas tratou de deixar o pantaneiro tuiuiú bem perto da amazônica lenda do boto, com um voo ‘not stop’, sem escala, em jato puro, com seis freqüências semanais entre Cuiabá e Manaus. Até o final da semana passada, a ligação direta Cuiabá-Manaus era um grande desafio à aviação comercial. A melhor opção para quem estava em Mato Grosso era embarcar para São Paulo e pacientemente esperar pela conexão rumo Norte do Brasil. Isso é página virada. A Trip encomendou uma frota da coqueluche mundial da aviação regional: os jatos 175 de última geração da Embraer, para operar principalmente rotas inéditas. Resultado: o tempo de viagem entre as duas capitais passa a ser de duas horas, por preços a partir de R$ 299. No sábado, 19, foi realizado o voo inaugural. Autoridades, empresários, dirigentes sindicais e jornalistas convidados da Companhia se juntaram aos passageiros que embarcaram no Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande para Manaus. Essa rota não é uma aventura. É mais uma boa aposta da ousadia Trip. Tanto assim, que enquanto o pessoal que participou do roteiro Cuiabá-Manaus-Cuiabá celebrava a viagem no hangar do governo de Mato Grosso, outra tripulação decolava para o Amazonas, dessa feita voando comercialmente, sem os caronas ilustres. Quem não conhece o presidente da Trip, José Mario Caprioli, nem sabe da realidade comercial entre Mato Grosso e Manaus certamente acha loucura a nova rota da companhia de Caprioli. Quem o conhece e tem informações sobre o mercado vocacional nessa região, aposta no sucesso do empreendimento. Caprioli tem dois orgulhos: a Trip e o fato de sua companhia jamais retroagir de suas rotas. Por isso, as escolhe a dedo. No Amazonas seus aviões interligam 14 destinos estratégicos. Em Mato Grosso suas asas atendem Cuiabá, Sinop, Alta Floresta e Rondonópolis com voos para outros estados. O presidente da Trip sabe bem que uma rota não se consolida da noite para o dia. Por isso, optou por operacionalizá-la com o chamado jato regional, de porte médio, ao contrário dos descomunais jatões, porque se conseguir manter a taxa de ocupação em torno de 60 passageiros trabalha longe do vermelho, ao passo que nos grandes aviões esse número não oferece lucratividade. Mas, Caprioli vai além. Bem articulado e apoiado pelos governadores Blairo Maggi e Eduardo Braga (do Amazonas) costura a redução da alíquota do ICMS do combustível de aviação para aliviar seu custo operacional. Maggi já atende parte do pleito de Caprioli. Em abril, Mato Grosso reduziu para a metade o ICMS do querosene para os voos domésticos (de 12% para 6%). No Amazonas, o secretário-executivo de Receita, Thomaz Queiroz Nogueira, afunila os estudos técnicos para derrubar de 25% para 7% a alíquota do querosene. “Até agosto, praticaremos a nova alíquota”, diz o vice-governador Omar Aziz. A redução do ICMS doméstico no Amazonas será um alívio para Caprioli. Maggi e Eduardo Braga concordam em estender esse benefício aos voos entre os dois estados, medida essa que penhoradamente a Trip agradecerá. * Eduardo Gomes viajou a Manaus a convite da Trip Linhas Aéreas

Edição EDIÇÃO 16962




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