ECONOMIA
Sexta-feira, 19 de Abril de 2013, 20h:33
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SOJA
Mais uma recusa chinesa
Nó logístico e falta de indicações de soluções no curto prazo fazem maior parceiro comercial - do país e de MT - renunciar ao grão
MARIANNA PERES
Da Editoria
A China, maior parceira comercial do Brasil e de Mato Grosso, anunciou ontem que fará novos cancelamentos de compra da soja nacional. A recusa é a segunda propagada pelo governo daquele país em um intervalo de cerca de 30 dias. Mais uma vez a justificativa para a quebra de contrato é a mesma utilizada em março: o atraso no embarque causado por problemas de infraestrutura no Brasil, que começam nas fazendas com a dificuldade de encontrar caminhões para levar o grão até os armazéns e termina na fila de carretas à espera de autorização para o desembarque em ferrovias e nos portos. Por meio de nota, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT) informa que está ciente deste fato, pois o senador mato-grossense Blairo Maggi está naquele país e confirmou a desistência após encontro com o vice-ministro da Agricultura da China, Niu Dun. A Associação também busca ainda saber qual (ou quais) empresa fez este cancelamento. No mês passado, a trade Sunrise, maior comercializadora chinesa de soja, anunciou que iria cancelar a compra de quase 2 milhões de toneladas do produto devido aos atrasos e a notícia não apenas deixou o mercado em compasso de espera pela confirmação, como também exerceu efeito negativo sobre os preços. De acordo com o presidente da Aprosoja/MT, Carlos Fávaro, estes cancelamentos continuarão ocorrendo enquanto não forem solucionados os gargalos brasileiros na produção de grãos. Precisamos resolver a questão da logística e da infraestrutura deste país. A produção precisa ser escoada de forma eficiente para que não haja fatos como estes. Os chineses têm motivo para rescindir os contratos, pois estamos atrasando a entrega e descumprindo contratos, afirmou. Mato Grosso é o maior produtor nacional do grão e no ano passado participou com 9% de toda oleaginosa ofertada no mundo. Para esta safra com praticamente 100% da colheita finalizada são esperados um novo recorde de produção, 23 milhões de toneladas. Uma comitiva brasileira, composta também por mato-grossenses, está na China, para entre vários assuntos, tentar justamente evitar novos cancelamentos de importações de soja. O senador confessou-se atormentado. Saio daqui mais preocupado do que quando cheguei\". O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira, que também integra a comitiva, disse, por telefone, que já está faltando soja na indústria chinesa para processamento e isso tem levado os chineses a medidas extremas como os cancelamentos. A demora para o carregamento no Brasil está demorando mais de 60 dias. Eles {chineses} estão muito preocupados com a logística brasileira. O senador explica que as ligações comerciais com a China rendem bons frutos ao Brasil. Atualmente, a economia do nosso país é bastante dependente dos preços das commodities no mercado mundial e temos a China como principal destino. De 2005 a 2012, por exemplo, eles acumularam importações de US$ 16,41 bilhões em produtos somente de Mato Grosso, assumindo isoladamente o posto de nosso principal \'cliente\'. Porém, eles estão ameaçando trocar a soja brasileira pela norte-americana por causa da ineficiência da nossa logística, lastimou Maggi. Até a safra passada, os Estados Unidos eram o maior produtor e exportador da oleaginosa, posição que deve ser perdida para o Brasil, se o clima e a logística permitirem. A CONTA Há um mês, o anúncio da recusa chinesa levou preocupação aos produtores mato-grossenses que temem pagar duplamente pela conta, primeiro pela pressão baixista imediata sobre a saca e, segundo, por uma nova pressão baixista na hora de negociar os futuros da soja 13/14. O presidente da Aprosoja Brasil acredita que o impacto logístico virão na próxima safra, já que o custo com portos será repassado aos produtores, ou seja, mais uma fatia da saca que será abocanhada, literalmente, pelo custo-Brasil. Como explica o diretor administrativo da Aprosoja/MT e produtor no município de Diamantino (210 quilômetros ao norte de Cuiabá), Roger Augusto Rodrigues, é que o custo Brasil, grande limitador de ganhos dos exportadores, virá a abocanhar ainda mais o preço da saca. O Brasil está se tornando um parceiro comercial duvidoso, que não cumpre prazos e isso pode e vai custar caro. Não será de admirar se no momento em que começar a travar os preços futuros da safra 2013/14 as tradings chinesas, já prevendo os custos adicionais de multas por dias parados no porto, venham a aplicar mais descontos à nossa soja. Não há dúvida de que o aumento, do já elevado custo Brasil, seja embutido a partir de agora e novamente o produtor é que vai pagar essa conta. Como explicam os líderes do segmento, a China, por exemplo, passará a calcular todos os custos a mais antes de firmar contratos no Brasil. (Veja mais na página C2)