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ECONOMIA
Sexta-feira, 19 de Maio de 2006, 20h:30

CRISE NO CAMPO - I

Maggi diz que agronegócio entrou na agenda de Lula

MARCOS LEMOS
Da Reportagem/Cuiabá
A dificuldade pela qual passa o agronegócio está finalmente na agenda do governo federal e a mobilização a Brasília, nesta semana, foi fundamental para chegar a esse objetivo. A constatação foi feita pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, ontem, durante visita à Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, a Agrishow, que está sendo realizada em Ribeirão Preto (SP). O governador foi recebido ontem em Ribeirão Preto pelo secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, José Roberto Macedo, e pelo presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Francisco Matturro. Ela é uma das 21 câmaras da organização. Maggi justifica que líderes do setor e ele próprio buscam “solução para a crise pela qual passa Mato Grosso e os estados do agronegócio”. Um resultado da bem-sucedida ação de governadores dos estados do agronegócio e líderes do setor junto ao Palácio do Planalto é a inclusão do economista Paulo Rabello de Castro na comissão do Ministério da Fazenda responsável pela elaboração das medidas a serem anunciadas na próxima quinta-feira, dia 25, em benefício do agronegócio, junto com o Plano de Safra 06/07. Outra indicação de preocupação de fato do governo federal com a dificuldade do setor é a publicação de estudo pela Petrobras, conforme divulgou nesta sexta-feira o jornal O Globo, para adição de 10% de óleo de soja no petróleo bruto antes do processamento na refinaria. Sobre a atitude da União, Maggi demonstrou otimismo. “Essa adição é uma oportunidade para o setor. O Brasil tem que abrir o olho para a importância do agronegócio. Nos Estados Unidos, a agropecuária representa 50% da economia e, no Brasil, ela representa 40%”, compara, sobre o impacto da atividade na formação da riqueza nacional. “Essa medida é um fator competitivo que favorece o setor”, afirma. O presidente Lula havia antecipado na quinta-feira, em telefonema, a iniciativa ao governador. Outro exemplo do eco produzido pelas reivindicações dos governadores e produtores rurais junto ao presidente Lula é o fato do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter informado ontem que o real de fato está sobrevalorizado. Maggi defendeu em Ribeirão Preto a redução de taxas de juros, que beneficiam somente bancos, e regras para controle de capital especulativo que não contribuem para atividade produtiva. O governador de Mato Grosso, na reunião com o presidente Lula, na última terça-feira, enfatizou o câmbio flutuante, que fez o real se valorizar em 45% perante o dólar há duas safras. Maggi explica que os preços nacionais e internacionais estão estabilizados e que isso mostra o “câmbio como grande vilão do setor”. RESULTADOS -- As reivindicações dos estados do agronegócio brasileiro devem contemplar ações do governo federal para renegociação de dívidas, abertura de créditos novos para a agropecuária e a juros de 8,70% ao ano -- ou ainda abaixo disso --, recomposição de dívidas passadas como Pesa e Securitização. Somente assim, assinala Maggi, o Brasil não corre o risco de reduzir em 30% sua área de plantio na próxima safra. “A economia do Brasil e a situação do agronegócio podem se agravar em 2007 se medidas reivindicadas não forem tomadas pelo governo brasileiro”, diz Maggi. ALERTA -- No último dia 18, na Assembléia Legislativa, Maggi alertou para os poderes que está antecipando a crise para encontrar soluções e que as estimativas apontam para um déficit anual de R$ 600 milhões, ou seja, 10% do Orçamento Geral do Estado neste ano, que é de R$ 6,045 bilhões. O novo contingenciamento que está para ser anunciado pelo Estado é o reflexo de dois anos de agronegócio em crise. (Veja detalhes do anúncio da União na página C2)

Edição EDIÇÃO 16967




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