O governo quer aumentar a produção de fertilizantes no país como um instrumento para conter a alta nos preços do insumo. Feito à base de potássio, fosfato e nitrogenados, os fertilizantes tiveram reajustes acima de 100% nos últimos meses, tornando-se um dos principais fatores de pressão inflacionária no setor. A intenção do governo é reverter um quadro de dependência externa, reduzindo de 75% para 25% do consumo a importação desse tipo de produto. Em relação ao potássio, contudo, o próprio governo admite que não há condições de o país tornar-se auto-suficiente. O assunto foi levantado quando o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, enumerou a importância e as dificuldades para que o Brasil aumente sua produção de alimentos, compensando com uma oferta maior a grande demanda atual. Mesmo assim, Stephanes acha possível aumentar a produção, sem necessariamente criar novas fronteiras agrícolas. Para ele, basta um trabalho mais intensivo nas áreas que já produzem. Lula já havia apontado a alta dos fertilizantes como um dos principais vilões no aumento do preço dos alimentos. Ao defender a produção de biocombustíveis e reagir à intervenção do ex-relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, o presidente apontou a alta no preço dos fertilizantes e a concentração na produção dos mesmos - apenas quatro companhias controlam o mercado mundial - como um obstáculo a ser vencido, juntamente com o aumento no preço dos combustíveis.