ECONOMIA
Sábado, 26 de Março de 2011, 13h:10
A
A
Internacionalização pode ampliar com endividamento
O alto nível de endividamento rural é apontado como uma das causas da internacionalização das terras produtivas do Estado, podendo aumentar a concentração de investimentos estrangeiros. De acordo com estudos de entidades produtoras, 20% dos produtores rurais estão sem capital para quitar dívidas bancárias, contraídas em 2004 e alongadas até este ano. Em um universo de 5 mil produtores rurais, cerca de mil deles estariam sem condições de pagar suas dívidas. Existem distorções que precisam ser corrigidas, aponta o diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Marcelo Duarte Monteiro. Segundo ele, muitos produtores estão com dívidas infladas em relação aos valores contraídos por conta das elevadas taxas de juros e ágios extorsivos. Para Monteiro, a prorrogação [das dívidas rurais] é uma falsa ilusão de ajuda quando feita nesses critérios. A prorrogação é necessária, no caso do endividamento contraído naqueles moldes, desde que os valores e os juros sejam congelados. Temos informações de produtores que estão abrindo mão de parte de seu patrimônio só para pagar dívida. Na avaliação de Marcelo Monteiro, a dívida é um mal necessário, pois o produtor precisa comprar máquinas e fazer outros investimentos. Mas há um bolsão que vem se arrastando há anos e que precisa ser resolvido. A dívida é factível e precisamos de agentes financeiros para repassar o crédito. Sem eles o produtor pouco pode fazer. O problema, conforme o diretor da Aprosoja/MT, é que houve um descompasso entre a renda do produtor e a dívida. Nas safras 2005, 2006 e 2007, a rentabilidade foi negativa e as dívidas prorrogadas foram correndo a juros altíssimos. Isso acabou quebrando o produtor e até, inviabilizando o pagamento do saldo devedor. Monteiro lembra que muitos produtores compraram à época máquinas com valores bem acima do mercado. Uma máquina adquirida por R$ 200 mil, por exemplo, atualmente está com saldo corrigido de R$ 1 milhão. A máquina foi comprada com ágio e juros de 13,5%. Agora os juros caíram para 4,5% e não há ágio. É essa distorção que precisa ser corrigida. Para Marcelo Monteiro, dívida é bom porque oxigena a economia e dá condições do empresário ou produtor ampliar seu negócio, aumentar a produção e gerar mais empregos. Mas as taxas de juros precisam ser compatíveis com a atividade e a política agrícola tem de garantir um estímulo a mais aos produtores para que ele possa permanecer na terra. (MM)