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ECONOMIA
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009, 20h:39

CRISE NA PECUÁRIA

Independência para em MT

Duas unidades já haviam sido desativadas, de um total de cinco. Acrimat pede atenção aos pecuaristas

MARIANNA PERES
Da Editoria
O programa de ajuste das operações do frigorífico Independência resultou ontem na paralisação das atividades do grupo em Mato Grosso, o maior produtor de bovinos do País. Em um comunicado à imprensa, o Independência informou que fechou suas unidades em Pontes e Lacerda, Colíder e Juína, todas em Mato Grosso, e encerou as atividades de abate, desossa e logística na planta de Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul. Com “a continuidade dos ajustes à realidade do mercado atual”, a marca suspende a produção das cinco plantas que tinha em operação no Estado. Em abril, foram suspensos os trabalhos na unidade de abate e desossa de Nova Xavantina (645 quilômetros ao leste de Cuiabá) e Confresa, a mais de 1,1 mil quilômetros ao nordeste de Cuiabá. As indústrias inoperantes tiram das escalas de abate cerca de quatro mil bois/dia e deixam de movimentar apenas com a venda direta do gado, aproximadamente R$ 5 milhões/dia na economia estadual. De acordo com dados da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), o frigorífico tem uma dívida de mais de R$ 50 milhões com 600 pecuaristas mato-grossenses. Com a decisão, a companhia anunciou a demissão de aproximadamente 1,1 mil funcionários e a realocação de alguns empregados em outras unidades, sem citar quantos. "Cada unidade permanecerá com um mínimo de colaboradores necessário para segurança e manutenção do ativo", informou a companhia em um comunicado. De dezembro de 2008 a abril deste ano, a empresa já tinha demitido 6,7 mil pessoas. “O cronograma de reabertura de unidades constará do plano a ser apresentado ao processo de recuperação judicial da empresa nas próximas semanas”. Com uma dívida superior a R$ 3 bilhões, o Independência anunciou, em 2 de março, que recorrera à recuperação judicial, pedido que foi deferido em maio pela Justiça de Cajamar (SP), onde fica a sede da companhia. Anunciou ainda, em março, o fechamento ou a suspensão de atividades em 14 unidades. Destas, as atividades em Janaúba (MG) e Rolim de Moura (RO) foram retomadas. Pelo relatório sobre sua situação financeira, apresentado no mês passado, o Independência informou que espera apresentar um plano de recuperação judicial até o início de julho e que uma assembleia de credores para a aprovação da proposta ocorra entre meados de agosto e o início de outubro. ACRIMAT – Para entidade o momento é de “alerta”. “Esse anúncio de novos fechamentos chega oito dias antes do encerramento do prazo para os pecuaristas se habilitarem no processo de recuperação judicial da empresa. O produtor deve ficar em alerta total para não perder o prazo e conseguir se habilitar no processo de recuperação judicial da frigorífico Independência que termina no próximo dia 18 de junho. Essa é a primeira providencia que o produtor deve tomar para garantir que seus débitos constem do plano de recuperação da empresa”, disse o presidente Mário Candia. Ele informou que a Associação está entrando em contato com todos os pecuaristas para alertá-los da necessidade desse procedimento processual. O anúncio do Independência feito na tarde de ontem está sendo lamentado pelo setor que esperava o retorno do abate nas cinco unidades em território mato-grossense. “Lamentamos o fechamento das unidades, mas nossa preocupação é com o produtor. As plantas já estavam paradas e não vamos deixar nenhuma indústria voltar a funcionar sem antes quitar as dívidas com os produtores. Somos o elo mais prejudicado da cadeira produtiva com essa crise dos frigoríficos, pois o pecuarista entregou seu gado, a indústria produziu e vendeu a carne, e não pagou por isso”, critica Candia. INDEPENDÊNCIA – A chegada em Mato Grosso é recente, feita em 2007 quando o grupo arrendou três plantas no Estado (Juína, Pontes e Lacerda e Confresa) e deu início aos trabalhos por Juína (735 a noroeste). No ano passado o grupo arrendou a unidade de abate e desossa do IFC Foods em Nova Xavantina e também em Colíder. (Com Acrimat e Agência Estado)

Edição EDIÇÃO 16962




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