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ECONOMIA
Segunda-feira, 04 de Maio de 2009, 20h:13

PORTO SECO

Importações crescem, entretanto não seguram tendência para o ano

Novo cenário mundial revela que valorização do dólar poderá reduzir ritmo das compras

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A crise financeira que assustou o mundo no último trimestre de 2008 não foi suficiente para desbancar os números das importações no primeiro trimestre deste ano por meio da Estação Aduaneira do Interior (Eadi), o Porto Seco. De acordo com levantamento da aduana, as importações em 2009 contabilizam incremento de 26,08%, encerrando o trimestre com volume de US$ 41,96 milhões, contra US$ 33,28 milhões em 2008. Durante praticamente todo o ano de 2008 as importações se sustentaram na desvalorização do dólar perante o real. Este ano, contudo, a situação poderá mudar. Na avaliação do gerente de Logística do Porto Seco, Elton Erthal, o bom desempenho das importações no ano passado - US$ 169 milhões contra US$ 118 milhões do ano anterior - pode não se repetir em 2009 como reflexo da alta do dólar e da crise financeira mundial. Segundo ele, muitos importadores se assustaram com a crise e reduziram o volume das compras no final do ano. “Estamos sentindo inclusive que muitas empresas estão com dificuldades de crédito porque os bancos fecharam as portas. Por isso estamos projetando uma pequena desaceleração em relação ao ano anterior”, salienta. Esta tendência de queda já pôde ser sentida pelo Porto Seco no mês de março, quando as importações recuaram de US$ 15,54 milhões para US$ 6,49 milhões, queda de 58,24% na comparação com o mesmo mês de 2008. “Vale lembrar que o extraordinário resultado das importações em janeiro – US$ 25,92 milhões, responsável pelo saldo positivo no trimestre – foi obtido no último trimestre do ano passado, quando o dólar atingiu seu pico (passou de US$ 1,60 para US$ 2,30) e os importadores decidiram segurar a mercadoria antes de nacionalizá-la, na esperança de uma queda na cotação para pagar menos impostos para a Receita Federal”, explicou Erhal. Mas, segundo ele, como esta redução não aconteceu e os importadores tinham um prazo para nacionalizar a mercadoria, acabaram regularizando os produtos no mês de janeiro, com dólar alto. “A compra, portanto, foi efetivada no ano passado e só contabilizada em janeiro, contribuindo para o saldo da balança das importações no trimestre. Podemos afirmar até mesmo que este crescimento chega a ser ilusório, pois foi alcançado no ano passado e não integralmente em 2009”, acrescentou. Em relação a igual mês de 2008 (US$ 8,66 milhões), as importações de janeiro deste ano tiveram incremento 199,30%. A tendência, a partir de agora, é o volume de exportações cair devido à crise. (Veja quadro ao lado) 2009 - Erthal diz que os números do Porto Seco são positivos, mas, ressalta que o Estado tem potencial para crescer ainda mais. Ele atribui o bom desempenho das importações à aquisição de equipamentos e tecnologia pelas empresas que estão se instalando em Mato Grosso. Matéria-prima para a indústria, maquinários, mídia (CDs/DVDs), matéria-prima para indústria plástica e da borracha, pneus e agroquímicos foram os produtos mais procurados pelos importadores mato-grossenses no primeiro trimestre do ano. Entre as empresas que mais importaram estão a Sadia Oeste (Lucas do Rio Verde), Cargill (Primavera do Leste), Santana Têxtil (Rondonópolis) e Amaggi (Rondonópolis). EXPORTAÇÕES – Devido à desvalorização do real frente ao dólar e à falta de containers para armazenar os produtos, as exportações via Porto Seco estão praticamente paralisadas. “Praticamente não temos negócios, mas esperamos alavancar as exportações a partir da construção de um armazém no porto de Paranaguá (PR)”, informou Elton Erthal.

Edição EDIÇÃO 16968




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