ECONOMIA
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007, 18h:13
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BIODIESEL
Hubner diz que não faltará combustível
O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, assegurou ontem que "não existe risco" de faltar biodiesel para suprir a demanda que será causada pela entrada em vigor, na próxima terça-feira (dia 1º), da lei que determina que todo o diesel comum vendido no País contenha 2% do biocombustível, produzido a partir de sementes oleaginosas, como mamona, soja ou girassol. "A capacidade instalada de produção de biodiesel é três vezes superior ao que é necessário para atender à exigência legal", disse Hubner. O ministro acredita que a adição do biodiesel - mais caro que o óleo comum - não deverá provocar aumento do preço do diesel. O vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, admitiu, porém, que a mistura poderá causar aumento de R$ 0,01 a R$ 0,02 no preço do litro do diesel pago na bomba. Hoje, o litro do diesel custa, em média no país, R$ 1,80. "Sem querer contrariar o ministro, nossa avaliação é de que a diferença (do preço do biodiesel para o diesel) pode gerar um impacto de 1 a 2 centavos", disse Vaz. Ele ressalvou que o repasse depende da política de cada empresa. As distribuidoras filiadas ao Sindicom detém 85% do mercado de diesel no País. Vaz disse que, nos leilões de biodiesel realizados neste mês pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro do produto saiu, em média, por R$ 1,86. "Isso representa uma diferença, com impostos, de cerca de 50 centavos para o preço do diesel comum (para as distribuidoras)", afirmou. Vaz, porém, ratificou a avaliação de Hubner de que não faltará biodiesel para que seja atendida a mistura de 2%. "Todas nossas associadas têm biodiesel em sua base para começar a distribuição a partir de 1º de janeiro", disse. Segundo Hubner, as usinas instaladas no País têm capacidade para produzir 2,5 bilhões de litros por ano, ante uma necessidade, para 2008, de 840 milhões de litros. Ele destacou que as distribuidoras já contrataram 99% do biodiesel de que precisarão nos próximos seis meses. "Podemos ter um ou outro problema isolado, mas a logística de distribuição está muito bem montada" afirmou. O ministro acrescentou que a ANP fiscalizará os postos e as distribuidoras para saber se a mistura de 2% está sendo cumprida. A punição para os que não fizerem a adição do biodiesel é a de não poderem comercializar o diesel comum. Pelos cálculos do governo, a adição de 2% de biodiesel terá um efeito positivo na balança comercial de R$ 900 milhões, em 2008, com a redução na importação de diesel. Em 2007, o Brasil importou 7% do diesel comum que consumiu. Hubner acrescentou que o governo pode autorizar, em 2008, o aumento da mistura para 3% de biodiesel. Nesse caso, porém, a elevação será opcional. Pela lei, depois dos 2% a partir de janeiro de 2008, postos e distribuidoras terão de aumentar a mistura para 5% em 2013. Hubner reiterou, porém, que o governo estuda a possibilidade de antecipar os 5% de 2013 para 2010.