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ECONOMIA
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 21h:11

PECUÁRIA

Hoje é dia de leilão em Cuiabá e meta é vender 10.008 animais

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Tarde de gala da pecuária de cria, recria e engorda. Este é o título que recebeu o Megaleilão 10008 de Cuiabá, evento que se realiza hoje, de 13 às 20 horas, no recinto da Estância Bahia Leilões, na capital, com o objetivo de vender pelo menos 10.008 bovinos. Reconhecido como o maior leilão de Cuiabá em todos os tempos, o Megaleilão trará à venda aproximadamente 12 mil animais de cria, recria e engorda. Na manhã de ontem, havia quase 11 mil bovinos nos currais da Estância Bahia. “Esse número está dentro do previsível, mas certamente chegarão novos lotes”, observou o empresário realizador do evento e prefeito de Água Boa (740 quilômetros a nordeste de Cuiabá), Maurício Cardoso Tonhá, o Maurição. A movimentação do Megaleilão vai além de Cuiabá e deverá alcançar a cifra de R$ 6,5 milhões, somente com as batidas do martelo, sem incluir transporte, silagem, mão-de-obra e outros componentes do evento. “Recebemos lotes de animais de fazendas localizadas em Poconé, Acorizal, Jangada, Nobres, Barão de Melgaço e outros municípios num raio de 200, 250 quilômetros da capital. Esse gado, em boa parte pertence a criadores cuiabanos”, observa Maurição. Com a pecuária vivendo o chamado – sem trocadilho – período das vacas gordas, o Megaleilão de Cuiabá se torna também referencial positivo a mais para o setor. “O pecuarista que participa do evento, quer seja comprando, vendendo ou até mesmo simplesmente presenciando as vendas, se sente mais estimulado a continuar trabalhando nesse segmento que é o maior gerador de empregos direitos e indiretos do Brasil”, analisa Maurição. Ontem, o cenário do recinto do Megaleilão era de intenso movimento. Operários dando os últimos retoques na estrutura física. Técnicos instalando e testando som. Equipes do Canal Terra Viva – que fará transmissão direta – ajustando os equipamentos. Peões no vaivém sem fim cuidando da ração dos animais. Serviço de festa organizando mesas e cadeiras. Garçons ensaiando atendimento. Seguranças vasculhando todos os cantos da Estância Bahia Leilões. “É sempre assim na véspera dos grandes leilões. Nada pode falhar. Tudo tem de funcionar perfeito porque cada um é peça dessa engrenagem”, comenta Maurição. CONFINAMENTO - Cerca de 10 dias antes e 10 dias após o Megaleilão de Cuiabá, a Estância Bahia Leilões fervilha. Fora desse período também não há calmaria. Maurição otimiza o espaço de sua empresa com um confinamento inicialmente para 10 mil bovinos, atividade que exerce em duas vertentes: com animais de sua propriedade e na prestação de serviço que a sabedoria popular denomina de boitel – hotel para boi. Pelo sistema boitel o pecuarista paga à Estância Bahia Leilões pelo confinamento diário dos animais, ou estabelece uma parceria com a mesma, dando-lhe em pagamento a diferença de quilo do animal adquirida ao longo do período confinado; essa modalidade é comum na entressafra, quando da estiagem, porque o criador mantém o rebanho a custo zero até a venda para abate, e ainda ganha com a variação do preço da arroba. Maurição vê o sistema de confinamento como instrumento para a retirada da chamada pressão da pecuária sobre o meio ambiente. “Dez mil animais confinados significa no mínimo 10 mil hectares a menos de pastagens dentro de nossa realidade atual”, compara. Também no campo comparativo, o confinamento da Estância Bahia Leilões em Cuiabá receberá um lote de animais correspondente a quase 10% do rebanho cuiabano, de 109.979 cabeças em 1.183 propriedades, segundo os números do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea/MT).

Edição EDIÇÃO 16967




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