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ECONOMIA
Terça-feira, 01 de Setembro de 2009, 08h:40

EFEITO MORALES

Helny vai à Bolívia

MT Gás prevê para esta semana o fim da novela que se arrasta junto à estatal boliviana para o fornecimento contínuo de gás

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O presidente da Companhia Mato-grossense do Gás (MT Gás), Helny de Paula, revelou ontem ao Diário que o contrato com a Bolívia, para o fornecimento de gás natural a Mato Grosso por um período de 10 anos, deverá ser assinado esta semana com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). O presidente viaja para a Bolívia entre hoje e sexta-feira acompanhado do secretário-adjunto da Casa Civil e representante do escritório de Mato Grosso em Brasília, Jefferson de Castro. Ele informou que a minuta do novo contrato já foi avaliada e que está tudo encaminhado para a assinatura do documento. “Independente de qualquer contrato novo, o abastecimento está garantido e não há qualquer possibilidade de ficarmos sem gás nos próximos dias, como foi ventilado pela imprensa”, assegurou. Há cinco dias o Diário publicou a informação, passada por uma fonte da GNV MT, a distribuidora oficial da MT Gás. De acordo com a fonte, caso um novo suprimento não fosse feito imediatamente pela Bolívia, o estoque de gás dos dutos poderia se esgotar até o final desta semana. “Garanto que não existe esta probabilidade, pois ainda temos um estoque de 600 mil metros cúbicos, o que daria para o suprimento do Estado até quase o final do ano”, afirmou Paula. Ele não quis revelar as bases do novo acordo com a YPFB, lembrando que primeiramente quer assinar o contrato com os bolivianos. “Depois revelamos os detalhes”. Comenta-se que os novos preços pagos à YPFB poderão sofrer forte redução, recuando dos atuais US$ 9,65 por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica) para patamares entre US$ 5,80 a US$ 6,30 por milhão de BTU. Com isso, o GNV - que já chegou a custar R$ 1,89 na bomba e hoje está sendo vendido por R$ 1,69 nos postos de Cuiabá - pode chegar a até R$ 1,40 caso os valores fiquem dentro das novas projeções dos mato-grossenses. POSTOS – A assinatura do novo acordo com a Bolívia é aguardada com expectativa pelos postos de GNV de Cuiabá e Várzea Grande. Ranmed Moussa, proprietário do posto Metropolitano, diz que se o contrato com a Bolívia for assinado, será bom para o setor. “Espero que o governo estadual resolva definitivamente este problema por um prazo mais longo, como o que estão anunciando”. Segundo o empresário, a venda de GNV “não se sustenta” em função da insegurança no abastecimento. “O cliente precisa de garantia e o empresário também. Vamos esperar a definição. Se houver a redução dos preços, poderemos ter um crescimento deste mercado em nossa região”. Para João Marcelo Borges, do posto Santa Elisa, a confiança no sistema só será restabelecida caso o governo estadual garanta um contrato com preços mais baixos. “O prazo de 10 anos, como estão falando, é bom. Mas só isso não basta. É preciso que o acordo seja assinado em bases que permitam uma redução nos preços para o consumidor. Só assim o negócio voltará a ficar atrativo e as conversões poderão ser retomadas”. MOTORISTAS – Os motoristas também estão otimistas com a assinatura do novo contrato. O presidente do Sindicato dos Taxistas de Cuiabá (Sintac), Antônio Bodenar, acredita na retomada das conversões caso haja uma garantia de suprimento e os preços sejam competitivos. “Temos hoje uma frota de 604 taxistas. Deste total, a metade converteu seu carro para GNV, mas a maioria não usa o equipamento porque os preços [R$ 1,69/m³] não compensam. É preciso baixar o preço ao consumidor para o sistema voltar a ser atrativo”, frisa.

Edição EDIÇÃO 16963




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