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ECONOMIA
Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008, 20h:06

CRISE/EUA

Grupo Naoum pede socorro

Sucroalcooleiro protocola na Justiça recuperação judicial. Além da falta de liquidez, cotações da produção despencaram

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A crise no sistema financeiro mundial continua fazendo estragos à economia de Mato Grosso. Depois da agricultura – com o estouro da “bolha do subprime rural” – agora é a vez de a indústria sofrer os impactos da falta de liquidez no mercado. Primeiro foi a Sadia, que protelou o início da construção do abatedouro em Campo Verde (139 quilômetros ao sul de Cuiabá), no valor de R$ 650 milhões. Agora é a vez do Grupo Naoum, que controla as usinas de açúcar e álcool Santa Helena, Jaciara e Pantanal, na região de Jaciara, a entrar com pedido de recuperação judicial na cidade de Anápolis (GO), comarca da sede da empresa, na semana passada. Segundo a assessoria do Grupo, a expectativa é de a solicitação seja apreciada e homologada ainda nesta semana pela comarca de Anápolis. O novo cenário internacional, com aperto da liquidez e a compressão do crédito - aliados à queda nas cotações dos preços do açúcar (50%) e etanol (40%) nos mercados interno e externos - foram os principais fatores que levaram o Grupo Naoum a ingressar com pedido de recuperação judicial para suas três usinas em operação em Mato Grosso. “A decisão foi tomada com o objetivo de preservar as atividades operacionais e o patrimônio e, principalmente, manter os cinco mil postos de trabalho gerados pelas usinas e salvaguardar os interesses de seus credores”, explica o presidente executivo do grupo, Edison Couto. A recuperação judicial é um instrumento legal, criado pela lei nº 11.101, de fevereiro de 2005, que permite a reestruturação de empresas economicamente viáveis que passem por dificuldades momentâneas, mantendo os empregos e os pagamentos aos credores. A nova legislação enterrou a figura das concordatas. Como explica o advogado Carlos Alexandre Moreira, “agora, as empresas em dificuldades financeiras poderão se utilizar dessa legislação para promover a recuperação do negócio sem a interrupção de seus negócios”, o que não era permitido via concordatas. O Grupo Naoum atua no mercado desde 1965 com a Usina Santa Helena de Açúcar e Álcool S/A, Usina Jaciara S/A e Usina Pantanal de Açúcar e Álcool. Couto afirma que o pedido de recuperação judicial foi decidido após uma avaliação criteriosa, que apontou ser esse o caminho mais viável frente ao cenário financeiro. "Temos convicção de que foi a solução adequada, porque o processo de recuperação judicial permite a continuidade das empresas, bem como assegura os direitos e interesses dos credores dentro de um ambiente de transparência, lisura e confiança", pontua. MOMENTO - Outro fator lembrado pelo presidente do Grupo Naoum é o aumento substancial dos custos de produção e dos insumos, com movimento contrário aos preços dos produtos nos mercados interno e externo. Na avaliação do executivo, este cenário provoca um forte desequilíbrio e margens reduzidas na operação, comprometendo diretamente o fluxo de caixa das empresas. Couto afirma que esses fatores provocaram uma retração nos créditos, imprescindíveis para este período de entressafra do setor sucroalcooleiro como investimentos nos tratos culturais da lavoura de cana-de-açúcar, início do plantio de 20% de todo o canavial, manutenção dos equipamentos das usinas e vencimento de contratos financeiros. “A crise impôs falta de liquidez no mercado e inviabilizou a manutenção das linhas de crédito”, ressaltou o executivo. O Grupo Naoum atua no mercado de açúcar e álcool há mais de 40 anos, tendo capacidade instalada para moagem de 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, permitindo a produção de aproximadamente 6,8 milhões de sacas de açúcar e 95 milhões de litros de álcool. Juntas, as usinas geram um faturamento de mais de R$ 300 milhões por ano. “Temos convicção de que as empresas contarão com o apoio e a participação das autoridades governamentais, de seus credores, em conjunto com os administradores e acionistas, na elaboração do plano de recuperação que atenderá o interesse de todos”, afirmou Couto, ressaltando que a medida judicial “permitirá que as operações de produção, comercialização e distribuição continuem em regime de normalidade”. (Veja mais na página C2)

Edição EDIÇÃO 16967




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