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ECONOMIA
Terça-feira, 19 de Junho de 2007, 20h:37

EFEITO MORALES

Governo boliviano admite que prioriza Petrobrás e Argentina

Mato Grosso perde duas vezes. Fonte boliviana diz que não há contrato definitivo com Cuiabá

MARIANNA PERES
Da Editoria
Pela primeira vez desde que reduziu o envio do gás natural à usina termoelétrica de Cuiabá, a Mário Covas, o governo boliviano veio a público confirmar que os despachos de cerca de 600 mil metros cúbicos diários (m³) de gás natural é resultado do aumento da demanda interna e externa pelo insumo boliviano, agravada nos últimos dias por problemas técnicos no compressor local da estação de Rio Grande que reduzem a capacidade de bombeamento. Diante deste cenário, uma fonte afirmou ontem ao jornal boliviano La Razon, que o governo boliviano está priorizando o atendimento ao mercado interno, ao contrato com a estatal brasileira - a Petrobras - e também à Argentina. Como assegurou a fonte, “estes dois mercados externos {Brasil e Argentina} são priorizados em detrimento de outros {Cuiabá}. O mercado Argentino se sobressai porque tem possibilidade de expansão no consumo e atualmente paga mais que Cuiabá. São US$ 5 por milhão de BTU”. Ainda segundo a fonte, “a Empresa Produtora de Energia (EPE), operadora da planta mato-grossense, não tem ainda um contrato definitivo com a estatal boliviana”. Os diretores da EPE não foram localizados para comentar o assunto até o fechamento desta edição, ontem, por volta das 20 horas. Em função do duplo corte à térmica, ela está desativada desde às 11 horas do último sábado e sem previsão de retornar a geração nos próximos dias. Na última sexta-feira, o governo boliviano encaminhou uma notificação à operadora alertando para as dificuldades bombeamento na estação. Os 600 mi/m³ ao dia que foram enviados até a última segunda-feira são insuficientes para gerar a capacidade mínina da usina de 135 megaWatts (mW), que requer pelo menos 700 mil/m³. Com o despacho atual, o governo boliviano cumpre cerca de 25% de um contrato firme de 2,2 milhões/m³/dia, volume suficiente para gerar 480 mW, a capacidade da planta. Nos últimos meses – enquanto a EPE e a estatal boliviana tentam entendimento sobre a atualização do contrato que prevê fornecimento à térmica até 2019 – o despacho diário foi reduzido em 50% (1,1 milhão/m³/dia) e agora com 600 mil/m³ a queda soma mais 45%. Enquanto o governo boliviano oficializa que há problemas na estação Rio Grande, o consumo de gás natural por parte da Petrobras – que atende o Centro-Sul do Brasil – passa de 26 milhões/m³/dia para 28,5 milhões/m³/dia, um incremento de 9%. Para dar suporte à estatal brasileira, os despachos à Argentina estão mantidos em cerca de 4,6 milhões/m³/dia, diante de uma demanda por 7,5 milhões/m³/dia e Cuiabá teve o envio reduzido em cerca de 75% no período. No último sábado, o responsável por Assuntos Regulatórios da EPE, Fábio Garcia, disse que a EPE quer garantias de fornecimento e de volume para rodar a planta. “Não podemos funcionar um dia e parar no outro. Por mais que haja a necessidade de redução no envio de gás para Mato Grosso, a EPE tem de saber de quanto será a redução e tem o direito de que a quantidade despachada seja um mínimo condizente com as necessidades do momento”. Está prevista uma reunião nesta semana entre EPE e Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). Na mesa de negociações está o contrato firme que necessita de atualização. EPE só negocia preços – valor já acertado entre os presidentes Lula e Evo Morales em fevereiro, uma alta de 253% sobre os atuais US$ 1,19 – e a Bolívia sugere a redução dos 2,2 milhões/m³, para 1,5 milhão/dia e outras alterações contratuais como a isenção de punição (multas) à YPFB em caso de não cumprimento dos valores acertados. O impasse permanece.

Edição EDIÇÃO 16967




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