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ECONOMIA
Terça-feira, 04 de Novembro de 2008, 19h:30

ITAÚ/UNIBANCO

Fusão dos bancos não altera rotina das agências no 1° dia

Economista da UFMT faz alerta sobre oligopólio no setor e conseqüências

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A fusão do Itaú e Unibanco, formando um novo grupo financeiro, agora o maior da América Latina e que vai responder por 18% do segmento nacional, com 14,5 milhões de clientes em todo o país, não alterou a rotina do funcionamento das agências dessas duas instituições na Grande Cuiabá, um dia após o anúncio da composição. As 19 agências e postos de atendimento em Cuiabá e Várzea Grande mantiveram o atendimento normal aos clientes e não houve transtornos. Os caixas eletrônicos também operaram normalmente. “A fusão não interfere em nada na rotina dos bancos e dos clientes. Tudo continua como está até uma segunda ordem”, disse ontem um funcionário da agência centro do Unibanco, situada na rua Barão de Melgaço. De acordo com fontes ligadas à gerência, as operações continuam sendo feitas normalmente, com ou sem cartão, inclusive as aplicações, saques depósitos e demais serviços dos bancos. “O cliente não deve se preocupar com nada, é como se nada tivesse acontecido. Caso venha a ocorrer alguma mudança, os clientes serão notificados através de carta”, explicou uma fonte da agência centro do Itaú. OLIGOPÓLIO – Para o professor Benedito Dias Pereira, coordenador da área de Mestrado em Economia da Universidade Federal de Mato Grosso, a fusão vai aumentar o grau de oligopólio ou de concentração das atividades bancárias. “Vamos ter um número menor de grandes bancos dominando o mercado e isso não é bom para ninguém”. No caso dos bancos, o produto é a taxa de juros. “Podem aumentar as taxas de juro, embora dentro do limite determinado pelo Banco Central”. Ele diz que quando há um aumento do grau de concentração, as taxas de juros e o valor dos serviços bancários em geral, tendem a se situar em um ponto máximo, reduzindo o ambiente competitivo que poderia existir entre os bancos. Ele considera o negócio prejudicial à economia, aos clientes, os usuários e os bancários. “A crescente concentração é ruim para os clientes e usuários porque diminui a competição no sistema financeiro nacional, fortalece excessivamente os grandes bancos e diminui a possibilidade de redução dos juros ao consumidor e das tarifas e taxas bancárias”, afirma o economista. Para Benedito Pereira, a concentração poderá dificultar a redução dos juros bancários e o aumento da concessão de crédito para o setor produtivo da economia. “A grande concentração de recursos e de poder nas mãos de poucos grandes bancos pode acentuar essa tendência, que contraria a razão da existência do próprio sistema financeiro”. MAIOR GRUPO - O Itaú e o Unibanco empregam atualmente mais de 100 mil pessoas. A fusão entre as operações financeiras de ambas as instituições resultará no maior banco privado do país e no maior grupo financeiro do Hemisfério Sul, situado entre os 20 maiores do mundo. Conforme as duas instituições, o total de ativos combinado é de mais de R$ 575 bilhões - contra R$ 403,5 bilhões do Banco do Brasil, e R$ 348,4 bilhões do Bradesco, segundo dados de junho do Banco Central. As ações ordinárias do Unibanco e da Unibanco Holdings serão substituídas por ações ordinárias da Itaú Unibanco Holding, empresa resultante da fusão. Cada 1,1797 ação das duas empresas virará 1 ação da Itaú Unibanco Holding. Já cada 1,7391 ação Unit do Unibanco passará a valer 1 ação preferencial. Por sua vez, cada 3,4782 ações preferenciais do Unibanco e da Unibanco Holdings valerão 1 preferencial da nova empresa. Para ser concretizada, a fusão ainda terá que ser aprovada pelo Banco Central e por órgãos reguladores como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o Cade.

Edição EDIÇÃO 16967




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