Fundo Soberano é lançado com metas ambiciosas pela União
Sem elevar formalmente a meta de superávit primário (receitas menos despesas, sem considerar o pagamento de juros) das contas do setor público, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB). Os objetivos são múltiplos: impedir uma queda maior do dólar, ajudar no combate à inflação, apoiar projetos "estratégicos" de empresas brasileiras no exterior e formar uma poupança para momentos de crise. Contrariando a expectativa do mercado, Mantega não anunciou oficialmente um aumento da meta de 3,80% do Produto Interno Bruto (PIB) de superávit primário para este ano. Mas informou que o novo mecanismo será formado com duas fontes de recursos: o excedente fiscal (a parcela da receita que superar a meta) e emissão de títulos do Tesouro Nacional nos mercados para a compra de dólares que serão utilizados nos investimentos do fundo. Na prática, a primeira "perna", depende de uma economia maior de recursos. "Praticamente dá na mesma. Só não dá na mesma porque vai ser o fundo que vai mobilizar esses ativos", disse o ministro. O ministro não detalhou, entretanto, em que períodos a sobra do superávit primário será incluída no Fundo e também não explicou se o excedente será do superávit de todo setor público ou só da parcela do Governo Central (Tesouro Nacional, BC e Previdência).