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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ECONOMIA
Segunda-feira, 05 de Maio de 2008, 20h:42

DIESEL

Frete fica mais caro

Alta do combustível autorizada pelo governo federal não será absorvida pelos transportadores que preparam alta do serviço em 5%

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A alta do óleo diesel poderá elevar os preços do frete de Mato Grosso para os centros consumidores do país. De acordo com a Associação dos Transportadores de Carga de Mato Grosso (ATC/MT), o frete poderá ter uma alta de até 5% nos próximos dias. “Não há como o setor absorver integralmente este reajuste”, disse ontem o diretor executivo da ATC, Miguel Mendes. Nas bombas da grande Cuiabá, o reajuste varia de 4,6% a 6,4%, volume abaixo dos 8% estimados pelo governo federal em razão da redução parcial da cobrança da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide). Conforme o Ministério da Fazenda, a cobrança do imposto sobre o óleo diesel passa de R$ 0,07 para R$ 0,03 por litro como forma de amenizar o aumento de 15% sobre o combustível. Em Mato Grosso, são 400 transportadoras em atividade no Estado. “Este ano finalmente começamos recuperar o que perdemos nos últimos três anos graças à ótima safra agrícola”, avalia Mendes. As empresas que fazem o transporte da safra, entretanto, não deverão mexer nos preços do frete. “Mais de 80% da produção já foi escoada. A demanda por frete caiu e, por isso, as transportadoras não poderão repassar qualquer reajuste agora”. A expectativa do setor é de que os preços se recuperem quando a safra de milho começar a ser colhida. Segundo Miguel Mendes, este ano a agricultura alavancou o setor, permitindo que o setor eliminasse parte das perdas. “Ainda acumulamos perda de 10%, mas este ano está sendo muito bom para o setor. O agronegócio é que movimenta toda a cadeia econômica. Quando o setor vai bem, os demais setores da economia ganham”. Para o diretor da ATC, três “fatores cruciais” impedem o setor de sair do vermelho: as péssimas condições das rodovias, o aumento do óleo diesel e a carga tributária (17%) incidente sobre o combustível. “Entre os estados produtores, Mato Grosso é o que tem a maior alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidente sobre o diesel, entre os três mais caros do país”, conta Miguel Mendes. Segundo a ATC, o Preço Médio Ponderado Final (PMPF) da região sul do Estado, que serve como parâmetro para a cobrança do ICMS, é de R$ 2,239. Na região norte, esta média passa de R$ 2,40. Mendes informou que os preços do frete de grãos para os portos exportadores – Santos e Paranaguá – caíram em torno de 20% em Mato Grosso. O valor médio do frete da região sul (Rondonópolis, Primavera, Itiquira e outros) está em R$ 130 a tonelada para o porto de Santos. AUMENTO – No último sábado a maior parte dos postos de combustíveis já havia repassado às bombas a alta do diesel, em vigor desde a última sexta-feira. Em geral, a alta elevou o litro do produto de R$ 2,17 e R$ 2,19, para em média R$ 2,29, alta de cerca de 4,6%. O litro mais caro encontrado pelo Diário foi R$ 2,36, alta de 6,4%, num posto na avenida Tenente-coronel Duarte, a Prainha, que trabalha com a bandeira Ipiranga. Os percentuais superaram O diesel teve autorizado reajuste de 15% e a gasolina, de 10%. Com relação ao último combustível, o litro ainda não sinaliza alta e deverá ficar estabilizado entre R$ 2,75 e R$ 2,79. CIDE - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem que o impacto da desoneração da Cide sobre os combustíveis neste ano será de R$ 2 bilhões, uma vez que a medida entra em vigor já tendo transcorrido quatro meses de 2008. Na semana passada, quando a medida foi anunciada, a renúncia fiscal prevista foi de R$ 3 bilhões num período de um ano. Bernardo explicou que a equipe econômica vai analisar o impacto dessa medida nas receitas e avaliar também o andamento das despesas para verificar se haverá necessidade de aperto adicional nos gastos. "Essa desoneração de R$ 2 bilhões terá que entrar na nossa conta", disse o ministro. Ele reconheceu que a desoneração parcial do diesel não impede que haja um impacto da alta do combustível na inflação, mas ressaltou que esse efeito é pequeno e é estimado em menos de 0,2%. Segundo o ministro, o impacto da gasolina seria muito maior no conjunto da inflação se o governo não tivesse optado pela desoneração.

Edição EDIÇÃO 16960




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