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ECONOMIA
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010, 20h:15

EXPORTAÇÕES

Fim à serie de quedas

Embarques em setembro surpreenderam analistas e volume de vendas superou a série histórica do MDIC para o mês

MARIANNA PERES
Da Editoria
Depois de quatro meses consecutivos de saldo de vendas abaixo do registrado em igual período do ano passado, as exportações mato-grossenses, embaladas pela alta demanda por carnes, milho e ouro, fecharam setembro com embarques de mais de US$ 713 milhões, cifras 27,65% acima dos US$ 558,61 milhões contabilizados em setembro de 2009. Para analistas o desempenho do mês foi surpreendente, já que a partir de agosto, com início da entressafra agropecuária de Mato Grosso, há um natural recuo no ritmo dos negócios, comportamento observados todos os anos. Porém, com mudanças no perfil de consumo do mercado mundial – como, por exemplo, a seca na Rússia que reduziu em cerca de 30% a produção de trigo – o mercado internacional ampliou as negociações com o Estado, que mesmo sofrendo com a defasagem cambial do período conseguiu emplacar o melhor setembro de toda a série histórica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O nono mês de 2010 deixou pra trás uma série de resultados negativos das exportações estaduais. Os saldos dos embarques de abril a agosto, na comparação com os mesmos meses de 2009, ficaram menores. Apesar da força do mês, o acumulado do ano ainda revela perdas em comparação aos nove primeiros meses de 2009. De janeiro a setembro deste ano, Mato Grosso exportou US$ 6,69 bilhões, cifras 2,47% abaixo do contabilizado em igual período de 2009, quando os negócios somaram US$ 6,86 bilhões. O presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan, o resultado surpreendeu, “somente o complexo carnes ampliou receita em 41% na comparação entre os dois períodos, fora isso, o milho e o ouro, este último já é o oitavo produto mais exportados por Mato Grosso, sustentaram a performance”. Conforme a relação dos principais produtos exportados pelo Estado em setembro, o ouro ampliou receita em 100%, ao sair de US$ 52,16 milhões em negócios para US$ 104,65 milhões. O milho, com incremento anual de 60,76% no volume de negócios, passou de US$ 405 milhões para US$ 651,09 milhões. Os cortes bovinos, suínos e de aves registram incrementos de 54,73%, 16% e 26,42%. O complexo soja – grão, farelo e óleo – fechou mais um mês com desempenho negativo, mas ainda é responsável por cerca de 80% da pauta mato-grossense. A soja em grão registra a maior perda do período, queda de 20,40% em relação à receita que passou de US$ 3,98 bilhões em 2009 para US$ 3,17 bilhões no acumulado de 2010. O óleo de soja degomado (bruto) apresenta redução de 18,35% na receita que de US$ 260,87 milhões para US$ 212,99 milhões. MERCADOS – Milan destaca que a maior parte das exportações do complexo carnes de Mato Grosso teve como destino o Irã, que comprou US$ 140 milhões, seguido da Rússia com compras de US$ 120 milhões, Venezuela (US$ 40 milhões) e a Itália (US$ 20 milhões). “O Irã é o que podemos chamar de um mercado novo, mas que vem despontando para o Estado. Este grande mercado consumidor da carne mato-grossense é fruto das caravanas e missões internacionais feitas ao longo dos últimos anos”. O ouro, que tem no complexo mineral a posição de 3° maior grupo das exportações estaduais e o oitavo produto individual em importância, tem como consumidores países árabes como Israel e Kuwait. “O segmento minerador no Estado vive sua retomada”, assinala Milan. CÂMBIO – Com a demanda internacional aquecida para boa parte das commodities estaduais, Jandir crê que os resultados de outubro também poderão ser melhores, mas ressalta que a maciça desvalorização do dólar frente o real poderá impactar no saldo de vendas. Considerando a base do dólar de setembro do ano passado, com média de R$ 1,82, para a média de R$ 1,72 em setembro deste ano, as vendas estaduais deixaram de contabilizar cerca de R$ 682 milhões. “Com o dólar oscilando entre R$ 1,66/R$ 1,67 em outubro, podemos esperar perdas maiores a nossa pauta”. O câmbio atual remete o mercado a outubro de 2008, em plena eclosão da crise mundial. MUNICÍPIOS – O ranking estadual das cidades com o maior volume de exportações registradas até setembro é liderado por Rondonópolis, seguido de Sapezal, Nova Mutum, Cuiabá e Campo Novo do Parecis. Entre os cinco primeiros, apesar de Rondonópolis liderar, o município apresenta desempenho inferior ao registrado no acumulado de 2009, assim como Campo Novo. Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) soma de janeiro a setembro deste ano vendas de US$ 658,09 milhões, volume 12,57% abaixo do saldo acumulado em igual período de 2009, quando as negociações internacionais somaram US$ 752,77. Se por um lado Rondonópolis – maior polo agroindustrial lidera em ritmo bem inferior ao empregado em 2009.

Edição EDIÇÃO 16960




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