ECONOMIA
Sábado, 31 de Maio de 2008, 13h:38
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CRISE DE ALIMENTOS - II
Falta de logística é entrave à produção
O diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro, diz que a falta de uma logística eficiente e mais barata para o transporte da produção agrícola deixa os produtores apreensivos quanto ao futuro da atividade. Mato Grosso está há décadas sem receber investimentos em logística, aponta Marcelo Duarte, destacando os prejuízos com a perda de competitividade dos produtos regionais. Segundo ele, as BR-163 (Cuiabá-Santarém) e 364 (Cuiabá/Porto Velho), consideradas as bases da logística de Mato Grosso, são as mesmas desde o período militar. Na opinião dele, embora o Estado tenha apresentado elevados índices de crescimento nas últimas safras, as rodovias não estão cumprindo o seu papel no sentido de promover a integração amazônica e assegurar uma ligação eficiente com os grandes centros consumidores. Isso acaba inibindo os investimentos e os grandes projetos acabam não chegando a Mato Grosso. Para minimizar o problema, Marcelo Duarte diz ser preciso programar um plano arrojado de logística, contemplando os modais ferrovia- hidrovia-rodovia. Precisamos de ferrovias, de hidrovias e as BRs precisam chegar às regiões produtoras, facilitando o acesso para o escoamento da produção. Ele defende a construção da ferrovia Leste-Oeste, a duplicação da BR-364, implantação da BR-258 e a retomada e conclusão do asfalto da BR-163 até Santarém (PA), para escoar a produção via porto de Santarém ou Itaituba, também no Pará, com saída para o Atlântico. Assim poderíamos ter uma economia de até 50% nos custos do frete num trajeto entre Sorriso e os portos de exportação (Santos, Paranaguá ou Itaituba). Outro projeto defendido pelos produtores é a implantação da ferrovia Oeste-Leste, saindo de Ilhéus, na Bahia, até Vilhena (RO), passando por Lucas do Rio Verde, na região do Médio Norte, e Água Boa, no Baixo Araguaia. Esta obra está com seu projeto em curso, devendo ser licitada até o início do próximo ano. A ferrovia Senador Vicente Vuolo, que se encontra parada em Alto Araguaia, também é vista como uma grande alternativa para o escoamento da safra quando o ramal chegar à região amazônica, passando pelo norte mato-grossense. Outra solução defendida pelo setor rural é a implementação da hidrovia Paraguai-Paraná, bem como o funcionamento da hidrovia Araguaia-Tocantins, que irá ligar a região produtora de Água Boa até o porto de Belém, no Paraná, e de lá até ao Atlântico. A logística é um gargalo, sim, mas existem alternativas e as soluções estão à mão. Basta vontade política, sentencia o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira. (MM)