ECONOMIA
Quinta-feira, 29 de Junho de 2006, 20h:42
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FOMENTO MERCANTIL
Factorings movimentaram R$ 52 bilhões em 2005
As atividades de fomento mercantil movimentaram R$ 52 bilhões em 2005 e têm projeção de crescer 10% este ano com a expansão das empresas de factorings em todo o país. Os números foram divulgados ontem em Cuiabá pelo presidente da Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring (Anfac), Luiz Lemos Leite. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a estimativa é de que as factorings tenham movimentado algo em torno de R$ 3,5 milhões no ano passado. São 200 empresas de fomento mercantil, com uma carteira de 3 mil clientes, de acordo com o Sindicato das Empresas de Factorings de Mato Grosso (Sinfac). Para 2006, as operações no Estado podem chegar próximo de R$ 4 milhões, segundo a presidente da entidade, Paula Carvalho Leite. O mercado ficou abalado com a crise do agronegócio, mas é nesta hora que a área de fomento tem papel relevante no sentido de socorrer as empresas e impulsionar a economia regional, diz ela. Para o presidente da Anfac, Luiz Lemos, a expectativa é de que a atividade mercantil continue crescendo a um ritmo de 10% ao ano e alavancando as empresas que necessitam de fomento para trabalhar e gerar empregos, independente de crises. Lemos veio a Cuiabá para participar do 1o Workshop Regional de Fomento Mercantil, que discutiu a atual conjuntura econômica do país e abordou aspectos jurídicos, técnicos, operacionais e mercadológicos do setor. Ele informou que, no primeiro semestre do ano, o setor movimentou no país cerca de R$ 25 bilhões. Vamos ultrapassar os números de 2004, prevê, destacando que as factorings desempenham função sócio-econômica relevante no país, garantindo a sobrevivência de empresas clientes que optaram pelo sistema por causa das vantagens comparativas em relação ao sistema bancário tradicional. No Brasil, são mais de 800 empresas filiadas à entidade, que atendem a uma carteira de aproximadamente 110 mil empresas clientes. Acreditamos, contudo, que existam mais de duas mil empresas operando nesta área. E o nosso propósito é justamente trazer estas empresas para a Anfac para que todas possam atuar de forma regular e de acordo com as normas do fomento mercantil. Do universo de 4,5 milhões de empresas existentes no Brasil, pelo menos 4 milhões delas precisam de fomento para viabilizar seus negócios e gerar mais empregos. A nossa meta é atingir pelo menos 10% deste total (400 mil empresas) nos próximos cinco anos, estima. Lemos lembra que o setor assegurou em 2005 a manutenção de mais de 2 milhões de empregos diretos e indiretos, propiciando vantagens econômicas para as empresas que necessitam de fomento mercantil para fazer capital de giro e expandir seu negócio. Um dos exemplos é o caso da Bombril e Teca, que precisam de capital para aquisição de matérias-primas, mas o mercado achava arriscado investir. As factorings se uniram e salvaram essas duas grandes empresas do País, aponta Paula. O papel socioeconômico do fomento mercantil é, na avaliação do presidente da Anfac, um dos aspectos mais relevantes da atividade no País. Pequenos, micros e até médias empresas enfrentam dificuldades de gestão e de liquidez, exatamente a base dos serviços prestados, em larga escala, pelas sociedades de fomento. O trabalho é caracterizado pela agilidade e ausência de burocracia, destaca Luiz Lemos. Segundo ele, gestão deficiente e falta de liquidez são os principais fatores que levam ao fechamento de empresas antes de completar cinco anos de atividade. O fomento, um dos instrumentos capazes de mudar esse quadro, tem crescido ininterruptamente nos últimos 15 anos, qualquer que tenha sido o quadro econômico neste período. Atende a um expressivo número de empresas, mas ainda tem um vasto campo a conquistar entre os mais de quatro milhões de empreendimentos do país, reforça o presidente da Anfac. (MM)