ECONOMIA
Segunda-feira, 25 de Junho de 2012, 21h:32
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COMBUSTÍVEIS
Expectativa no mercado
Aumento autorizado pela Petrobras deverá ser absorvido com
redução da Cide, mas a revenda e o consumidor estão atentos
MARIANNA PERES
Da Editoria
Pelo menos desta vez, distribuidoras, revendas e consumidores estão do mesmo lado em relação aos rumos que os preços dos combustíveis tomarão após ter alta autorizada na última sexta-feira pela Petrobras. Os três elos da cadeia estão na expectativa sobre o preço de bomba do óleo diesel e da gasolina, já que o aumento de 3,94% e 7,83%, respectivamente, deverá ser absorvido com a redução a zero de um dos principais tributos sobre os combustíveis, a Cide. No entanto, os revendedores não descartam a possibilidade de alta sobre o litro, pois tudo dependerá da movimentação nas refinarias. Se houver algum repasse, a previsão é de que em uma semana, ou no máximo em duas, o adicional chegue às bombas e ao consumidor. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo) disse estar atento ao movimento do mercado e frisa que não tem como assegurar que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) a zero será suficiente para reter a alta. Vamos esperar pela reação do mercado, mas infelizmente, no passado, temos registros de casos em que a Cide conteve a alta e de casos em que ela não foi respeitada ou não foi suficiente. A torcida é para que não aumente. O Diário fez uma simulação de quanto a alta impactaria no preço de bomba, caso não houvesse a redução a zero da Cide. A simulação dá apenas uma ideia porque o preço final sofre a influência de outros tributos, margens de cada elo e até de questões pontuais de cada mercado. De qualquer forma, a alta de 3,94% sobre o diesel impõe adicional, de forma direta, R$ 0,08 ao litro. De acordo com a mais recente pesquisa sobre preços médios nos estados divulgada no final da semana passada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Cuiabá exibe preço médio de R$ 2,25 pelo litro. Com a alta, hipoteticamente, o preço na bomba passaria a cerca de R$ 2,33. Com as considerações, o reajuste de 7,83% sobre a gasolina elevaria o preço médio na Capital de R$ 2,94, conforme a ANP, para algo próximo de R$ 3,17, já que o percentual de correção adiciona diretamente R$ 0,23 ao litro. O Sindicato não confirma a projeção do Diário por acreditar que o cálculo seja mais complexo. De qualquer forma, como frisa a entidade, eles estarão acompanhando os efeitos do anúncio da Petrobras, mas alerta que tudo será influenciado pelas refinarias. A expectativa da revenda é de que a medida governamental realmente neutralize o impacto, avalia o diretor-executivo Sindipetróleo, Nelson Soares Junior. Como lembra Soares, o mercado vinha pressionando a Petrobras para que os preços dos combustíveis fossem aumentados por conta da alta dos produtos no mercado internacional. DISTRIBUIDORAS - O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindcom) confirmou que os preços da gasolina e do óleo diesel não serão majorados para o consumidor, apesar do aumento que entrou em vigor ontem nos preços cobrados pela Petrobras às refinarias. De acordo com o presidente do Sindcom (que tem sede no Rio de Janeiro), Alisio Vaz, a Petrobras já informou ao setor que o reajuste não será repassado para os postos de combustíveis conforme o governo já havia adiantado na última sexta-feira (22) e, assim, os preços para os consumidores não sofrerão alteração. Já recebemos dos nossos associados informações de que não haverá reajuste de preços, já que a Petrobras incorporou à sua remuneração o valor da Cide, que deixou de ser cobrado sobre a gasolina (R$ 0,09 centavos) e o diesel (R$ 0,45 centavos), explica Vaz. A CIDE - Para evitar que o reajuste de preços cobrado às refinarias chegasse à população e, assim, tivesse reflexos na inflação, o governo federal decidiu zerar a Cide que incidia sobre a comercialização dos derivados de petróleo, deixando de arrecadar, dessa forma, cerca de R$ 425 milhões mensais. O objetivo do reajuste para as refinarias é diminuir a defasagem de preços dos combustíveis em relação ao mercado internacional, o que compensa a perda da arrecadação da Cide.